Ola, esse blog reune algumas de minhas ideias, pensamentos e devaneios, porem apresenta tambem um resumo daquilo que leio e acho interessante na área do Coaching, Liderança e Gestão Comportamental, Motivação e estilo de vida, Geociências e Meio Ambiente.
Gostaria de saber sua opinião sobre as postagens, portanto ficaria feliz em receber seus comentários.
Entre e fique a vontade!!
Autores: Fabio Fernandes1; Elias Vicente da Cruz Santos Júnior1,2
1 AMAZONGEO Geologia e Meio Ambiente; 2Centro Universitário do Norte
Área pré-lavra (foto do arquivo da Amazongeo)
A areia minerada na
região de Manaus é resultado da atuação do intemperismo sobre rochas da Formação
Alter do Chão (Cretáceo Superior da Bacia do Amazonas). Os depósitos eluvionares,
se apresentam em forma de “lentes” com espessura de 2 a 4 metros predominantes,
sendo a lavra desenvolvida em mina a céu aberto (cava seca) de forma
mecanizada.
Amplamente utilizada na construção civil a areia que atualmente
abastece a cidade de Manaus é fornecida a partir de três principais áreas:
entorno das Rodovias BR-174 e AM-010, e região do Tarumã.
As minas distam até 80
km da sede do município, apresentam areais distribuídos em superfície aplainada
formando platôs, localmente constituído por pacote arenoso, de coloração branca,
de variada seleção, podendo apresentar alguma estratificação insipiente,
recobertos por areias de coloração escura, decorrente de seu conteúdo em
matéria orgânica.
Os rejeitos da atividade areeira, via de regra, representam
pequeno volume e são integralmente aproveitados na reabilitação da área.
Depositados em “pilhas” são resultado do acumulo de solo, de vegetação e das
areias de coloração escura, valendo resaltar que esta última tem encontrado
crescente mercado, gerando dividendos para a atividade exploratória e
“transtornos” quando da reabilitação da área, em decorrência do baixo volume
orgânico disponível.
Os empreendimentos mineiros são de pequeno a médio porte,
operados por pessoas físicas e jurídicas, não vinculadas a sindicatos ou
associações representativas, ora inexistentes, o que dificulta a interlocução
com os órgãos reguladores da atividade mineira.
Anterior a qualquer legislação
que disciplina a atividade de mineração, a explotação de areia, acumulou, ao
longo das últimas décadas, um grande passivo ambiental devido a falta de
aprimoramento técnico, organização e racionalização da atividade.
O passivo
ambiental da atividade do setor areeiro pode ser avaliado pelo não cumprimento
das condicionantes das Licenças de Operação e implantação das propostas de
reabilitação das áreas.
Nos empreendimentos visitados várias “não-conformidades”
foram identificadas, algumas significativas, tais como, ausência de responsável
técnico pela lavra, reabilitação não iniciada e operação realizada por
terceiros, não comunicada aos órgãos reguladores da atividade mineira. Desmatamento
não orientado, frentes de lavra aleatórias, delimitação deficiente, acúmulo de
água e rejeitos mal armazenados, constituem as principais deficiências.
Área pós-lavra (foto do arquivo da Amazongeo)
A que
pese a ausência de investimentos na capacitação técnica dos funcionários, o desenvolvimento
exploratório dá-se de modo regular, quase que exclusivamente pela
“experimentação”.
Rochas alteradas da Formação Alter do Chão (quartzo-arenitos,
quartzo-grauvacas, arenito arcoseanos e siltitos) constituem, comumente, o
limite exploratório dos depósitos de areia, substrato sobre o qual se inicia a
reabilitação, onde se propõem implantar atividades agrícolas, aquícolas e de
reflorestamento. Tal substrato possui elevada resistência mecânica, baixa
fertilidade e moderada permeabilidade, necessitando de intervenção antrópica
prolongada quando destinado ao uso agrícola/florestal, e imprescindível
impermeabilização para o desenvolvimento de atividade aquícola.
No campo
acadêmico-científico, projetos de recuperação de áreas degradadas pela
atividade em questão, apresentam pouco ou nenhum interesse, contribuindo para a
ausência de parâmetros técnicos (teóricos e práticos).
Uma mineração mais
eficiente e com menor passivo ambiental, legal e com retorno a sociedade, certamente
deverá passar por uma reestruturação do setor mineral local.
REFERENCIAS:
FERNANDES, F. & SANTOS JÚNIOR, E. V. da C. Aspectos da Mineração e Impactos
da Exploração de Areia em Manaus - AM. Anais do46º Congresso Brasileiro de Geologiae 1º Congresso de Geologia dos
Países de Língua Portuguesa. Santos, SP.2012.
A três meses do início da
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(RIO+20), os participantes ainda não chegaram a um acordo sobre os
objetivos do encontro mundial.
Enquanto os organizadores
brasileiros afirmam que a Rio+20 é um encontro para debater o
desenvolvimento sustentável, como, a propósito, está expresso no nome do
evento, um grande número de participantes de peso afirma que virá ao
Brasil discutir questões ambientais e nada mais.
Ambas são
questões essenciais, mas um encontro sem foco corre o risco de seguir a
esteira de fracassos recentes dos debates tanto sobre um quanto sobre
outro tema.
Economia verde
Para os organizadores
brasileiros, a RIO+20 poderá alcançar um impacto planetário de magnitude
semelhante ao da ECO-92, contanto que consiga superar o desafio de
integrar de forma equânime os três pilares do desenvolvimento
sustentável: as dimensões ambiental, econômica e social.
Ocorre
que a ECO-92 foi essencialmente uma conferência ambiental. Seu sucesso
deu-se sobretudo ao mostrar que o assunto estendia-se além das questões
estritamente ambientais, mas isto não a tornou uma conferência sobre uma
nova ordem econômica mundial.
E parece que o mundo não chegou
ainda a um acordo sobre se é necessário realmente realizar uma
conferência de cunho tão amplo, ou se apenas precisamos continuar
discutindo o meio ambiente, questões econômicas postas à parte.
"A
RIO+20 é uma conferência sobre desenvolvimento sustentável e não apenas
um debate sobre meio ambiente. A intenção da presidência da conferência
é que as dimensões ambiental, social e econômica tenham o mesmo peso no
debate. O governo brasileiro, por sua vez, entende que, se os desafios
do século 21 não forem vistos de maneira integrada, jamais conseguiremos
atingir níveis de sustentabilidade", defende o embaixador brasileiro
Luiz Alberto Figueiredo Machado.
De acordo com o embaixador, o
mundo atravessa uma época de crise internacional e os atuais modelos de
desenvolvimento demonstram uma erosão em sua capacidade de dar respostas
aos novos desafios.
"Os modelos atuais produzem crises em todos
os pilares do desenvolvimento sustentável: a crise climática, a perda
acelerada da biodiversidade, a degradação social e a crise energética
demonstram isso. Estamos fazendo algo errado", disse.
Questão ambiental
O
esboço do documento que servirá de base para a declaração final da
Rio+20, o chamado "Esboço Zero", por sua vez, não avança tanto nesta
questão, e tem sido criticado pelos defensores de uma conferência que
mergulhe diretamente na questão do desenvolvimento sustentável.
Mas
o documento tem sido mais criticado ainda pelos opositores, que dizem
que o documento saiu demais da questão ambiental, que deveria ser o foco
da conferência.
Autoridades ambientais da Europa criticaram
publicamente o documento, atribuindo "falta de foco" ao texto, já que
ele estabelece temas como economia verde e desenvolvimento sustentável
entre as prioridades do encontro.
Segundo os europeus, a
conferência deveria ter mais foco na questão ambiental propriamente dita
e na reorganização institucional dos órgãos internacionais voltados ao
tema, sobretudo ao IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas).
O IPCC vem sendo duramente criticado no próprio meio
científico, devido a alguns escorregões que colocaram em dúvida sua
credibilidade frente à opinião pública e aos políticos.
A
comunidade científica formalizou um estudo propondo mudanças científicas
e gerenciais no IPCC, mas o presidente da instituição, Rajendra
Pachauri, agarrou-se ao cargo e não se sentiu constrangido o suficiente
para sair.
A expectativa é a de que um encontro mundial como a
Rio+20 tenha peso suficiente para garantir a adoção das medidas
sugeridas no órgão.
A ministra francesa do Meio Ambiente,
Nathalie Morizet, por exemplo, afirmou que falar muito sobre crescimento
verde e pouco sobre governança significa perder o foco.
Jean Jouzel, vice-presidente do IPCC, também afirmou que a RIO+20 precisa ser "mais conclusiva e menos filosófica".
Queremos mudanças
O Brasil lidera uma visão diferente.
Na
época da ECO-92, segundo o embaixador brasileiro, os países
desenvolvidos acreditavam que haviam resolvido suas questões econômicas e
sociais e dirigiam o foco das discussões para os temas exclusivamente
ambientais.
Enquanto isso, os países em desenvolvimento tinham o foco no desenvolvimento econômico apoiado no contexto da sustentabilidade.
"Vinte
anos depois, o mundo virou de cabeça para baixo: os países
desenvolvidos estão lidando com uma profunda crise econômica e social,
enquanto os países como o Brasil são líderes na área em tecnologias
verdes, em investimentos em energia limpa e avançaram na inclusão
social", disse.
Nesse novo contexto, segundo Machado, a RIO+20
não tem mais uma agenda que olha o econômico, o ambiental e o social
separadamente.
Por isso, a comissão brasileira da conferência tem
utilizado o termo "economia verde inclusiva", a fim de remeter ao
trinômio "crescimento", "inclusão social" e "proteção da natureza".
"A
decisão política do século 21 é a de integrar essas três dimensões.
Esse é um desafio para todos os países e para a RIO+20. Se conseguirmos
essa integração, finalmente poderemos, depois de duas décadas, realizar
as promessas da ECO-92", afirmou Machado.
Promessas à parte, o
fato é que a situação da Rio+20 se parece cada vez mais com um hoje
esquecido "Debate Norte-Sul", um debate que a rigor nunca existiu
porque, por mais que o Sul tenha gritado, o Norte sempre fez-se de
surdo.
____________
Parece que teremos mais uma Conferência que não vai conseguir atingir os objetivos propostos...E viva o Ambientalismo Caolho!
Extraído de: Portal D24AM 22 Fev 2012 . 08:25 h . Agência O Globo
[ i ]
Fruto foi guardado por um esquilo em sua toca na
tundra, no noroeste da Sibéria, onde passou milhares de anos congelado
até ser desenterrado pelos especialistas há alguns anos
Londres - Diversas plantas foram geradas a
partir do fruto de uma pequenina flor do Ártico que morreu há 32 mil
anos, segundo anunciou ontem um grupo de cientistas russos.
O
fruto foi guardado por um esquilo em sua toca na tundra, no noroeste da
Sibéria, onde passou milhares de anos congelado até ser desenterrado
pelos especialistas há alguns anos. As plantas são parecidas com a atual
Silene stenophylla.
Esta seria a mais antiga planta
recuperada por meio de tecido antigo. Até agora, o recorde era de uma
palmeira, gerada a partir de uma semente de 2 mil anos, recuperada numa
antiga fortaleza em Masada, em Israel.
Sementes e determinadas
células podem durar por milhares de anos sob determinadas condições
climáticas, mas muitas alegações de longevidade extrema não resistiram a
um exame mais minucioso e biólogos aguardam confirmações independentes
do estudo. Histórias de trigo crescendo a partir de sementes achadas em
tombas de faraós já foram desacreditadas, por exemplo. Sementes de um
tipo de ervilha supostamente de dez mil anos atrás foram achadas em uma
mina de ouro soterrada em Yukon, no Canadá.
Mas as sementes, datadas
posteriormente pelo método do radiocarbono, revelaram-se modernas.
A
despeito da polêmica, a nova descoberta está calcada em uma datação de
radiocarbono acurada. Um caminho similar de investigação do passado
distante, o do DNA antigo, foi primeiro desacreditado depois que o
anúncio de um DNA de dinossauro se revelou falso. Mas agora, com métodos
mais modernos, produziu excelentes resultados na reconstituição do
genoma do Neandertal.
O novo estudo, feito por um grupo
coordenado por Svetlana Yashina e Dadiv Gilichinsky, do Centro de
Pesquisa Pushchino, da Academia de Ciências da Rússia, foi publicado na
última edição da “Proceedings of the National Academy of Sciences”, a
PNAS.
— Trata-se de um incrível avanço — afirmou Grant Zazula, do
Programa de Paleontologia de Whitehorese, no território Yukon, no
Canadá, que revelou que as sementes encontradas na mina canadense eram
modernas. — Não tenho dúvidas de que se trata de uma descoberta
legítima.
Mas o estudo russo deve demandar muitos pedidos de novas provas de legitimidade.
—
Está muito além do que esperávamos — afirmou Alastair Murdoch,
especialista em sementes da University of Reading, no Reino Unido.
—
Quando as sementes ficam expostas a 7 graus Celsius negativos, depois de
160 anos, apenas 2% delas ainda são capazes de germinar.
As
sementes usadas no estudo estavam estocadas em tocas de esquilos e
ficaram durante todo esse tempo congeladas a temperaturas de 7 graus
negativos.
Estrutura abandonada na avenida do Samba deu trabalho para os
garis, que em dois dias recolheram lixo equivalente a três semanas de
trabalho
(Luiz Vasconcelos)
O
desfile de Carnaval realizado no último fim de semana no Centro
Cultural e Desportivo de Manaus, o sambódromo, gerou um volume de lixo
que corresponde a 75% da coleta feita em toda a cidade durante um mês.
Ao todo, foram recolhidas 60 toneladas de lixo só no Sambódromo sendo
que a média mensal de produção e coleta de lixo na capital é 80
toneladas. Do total de lixo recolhido, apenas 4 mil toneladas são de
materiais recicláveis, entre latas de alumínio e plásticos. O volume de
lixo deste ano é 50% maior que o recolhido no Carnaval de 2011 quando
foram contabilizadas 40 toneladas. O material tem como destino o aterro
sanitário.
Os
dados da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) traduzem o
cenário de sujeira que ficou espalhada por todo o entorno do Centro de
Convenções. Ainda nas primeiras horas da manhã da última segunda-feira
(20), um dia depois da realização do Bloco das Piranhas também no
Sambódromo, a área estava tomada por lixo. A avenida Pedro Teixeira, por
exemplo, estava coberta por uma variedade de material com destaque para
garrafas de vidro quebradas, restos de fantasias, pedaços dos carros
alegóricos, embalagens de cerveja, entre outros. Até dentro do igarapé
que corta a rua Belmiro Vianez e a avenida do Samba houve impactos do
lixo carnavalesco.
Pelo
menos duas grandes estruturas carnavalescas que foram parar dentro do
igarapé chamaram a atenção de quem passou pelo local na manhã de ontem.
Já as margens do igarapé, estavam cobertas pelos mesmos tipos de
materiais jogados na avenida Pedro Teixeira.
De
acordo com a Semulsp, a quantidade de lixo produzido na cidade aumenta
em 20% no período de Carnaval, o que corresponde a 600 toneladas a mais
que os períodos normais.
Após
a intervenção dos agentes de limpeza pública, o local voltou ao normal.
No entanto, o tipo de sujeira dificultou o trabalho dos agentes. Ocorre
que o vidro espalhado na via, além de representar risco de ferimento
aos profissionais também faz com que os sacos de que armazenam o lixo se
rasguem.
Apesar
de a área ter sido limpa, a quantidade final de lixo no sambódromo deve
aumentar com a realização do Carnaboi 2012. O balanço do lixo produzido
nos eventos realizados no Sambódromo desde o início dos festejos de
momo deve ser contabilizado amanhã, 22, pela Semulsp.
Para
a Semulsp, apesar da quantidade de lixo ter sido maior que a do ano
passado, o reflexo da população para o uso de lixeiras de coleta
seletiva instaladas na área foi positivo. Segundo a assessoria da pasta,
foram disponibilizados 30 kits de coleta coletiva com quatro lixeiras
cada e todas foram usadas pela população.
__________________
Já passou a hora das agremiações carnavalescas começarem a reutilizar o material usado nas alegorias, antes a desculpa era a falta de local para isso, porem a Avenida do Samba localizada atrás do sambódromo foi construída com esse propósito (se existem mais escolas do que galpões significa que a estrutura foi subdimensionada!) falta agora é o poder publico exigir que os carros alegóricos sejam retirados da via publica!
Parabenizo a iniciativa de disponibilizar lixeiras para coleta seletiva, muitas vezes o cidadão apesar de ter a consciência ambiental não dispunha do local adequado para despejar seu resíduo, só espero que após o evento o material coletado nessas lixeiras não seja despejado junto ao lixo comum....
Ação humana sobre a natureza poderá causar a sexta grande perda de espécies da Terra
POR JOÃO RICARDO GONÇALVES
Rio - Um dos episódios mais dramáticos da história da vida na Terra aconteceu há 65,5 milhões de anos, quando uma extinção em massa, possivelmente causada por um asteroide, acabou com 75% das espécies que viviam no planeta. Atualmente,um número cada vez maior de cientistas acredita que estamos chegando perto de mais uma grande extinção — a sexta. E alguns deles a relacionam a um fator tão perigoso quando o meteoro: a ação do homem sobre o Meio Ambiente.
Vários levantamentos têm chamado a atenção para o acelerado ritmo de perda de espécies. A revista ‘PLoS Biology’ publicou, em agosto, o resultado do Censo da Biodiversidade, mostrando que existem cerca de 8,7 milhões de espécies vivas na Terra, entre animais, plantas, fungos, protozoários e cromistas. Parece muito, mas a União para a Conservação Internacional estima a taxa de espécies extintas por ano em 30 mil.
O ritmo de perdas está, então, mil a 10 mil vezes maior do que a taxa natural. Paleontólogos e biólogos mais pessimistas dizem que o mundo pode perder 30% de suas espécies até o século que vem — em seu ápice, esta nova extinção em massa poderia fulminar os mesmos 75% das espécies atingidas no final do Período Cretáceo, no episódio que ficou famoso por acabar com os dinossauros.
Estudo publicado este ano na Revista ‘Nature’ calcula que a extinção em massa, seguindo o ritmo atual de perdas de espécies, chegará em algum momento no intervalo de 3 a 22 séculos.
Seja como for, a aceleração do ritmo de perda de espécies atual coincide com a presença e multiplicação do homem na Terra. Nos últimos 500 anos, por exemplo, das 5,5 mil espécies de mamíferos conhecidas e catalogadas por biólogos, pelo menos 80 deixaram de existir.
“Da Revolução Industrial para cá, a população mundial cresceu de 1 bilhão para 7 bilhões. A economia cresceu mais de 50 vezes. Nesse ritmo, a humanidade poderá cometer um ecocídio”, observa o doutor em Demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, José Eustáquio Diniz Alves.
Chamado à mudança
Nem tudo, porém, é pessimismo. O grupo de cientistas responsável pelo estudo publicado na ‘Nature’ — todos de instituições americanas — afirmam que os indícios de uma nova extinção em massa podem ser um chamado para a conservação. “Ainda temos muita biota (conjunto de seres vivos de um ecossistema) da Terra para salvar. É muito importante que direcionemos recursos e legislação para a conservação de espécies se não quisermos nos tornar a espécie cuja atividade causou uma extinção em massa”, afirmou, na época da divulgação de seu estudo, Anthony Barnosky, curador do Museu de Paleontologia e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Motoristas e pedestres agradecem a manutenção de espécies centenárias em área central. Elas, além de enfeitar, amenizam o calor de Manaus
Manaus , 08 de Outubro de 2011
Autora: ANA CELIA OSSAME
Na rua Ramos Ferreira, os pés de Benjamin são um alívio para quem trafega pela área e também para aqueles que estudam nas imediações, deixando o clima mais ameno (Bruno Kelly)
Os galhos esticados dos benjaminzeiros (fícus Benjamin) fincados há décadas, de um lado e de outro nas calçadas da rua Ramos Ferreira, no Centro, Zona Centro-Sul, formam uma cobertura vegetal capaz de proporcionar uma sombra refrescante, nas proximidades da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Benjamin Constant, no Centro, Zona Centro-Sul. Esse cenário bucólico faz diferença nos horários de sol a pino, quando o astro atinge sua maior potência, principalmente na hora dos engarrafamentos, comuns em Manaus.
Nos meses em que as temperaturas teimam em responder com aquecimento às ações humanas de depredação à natureza, algumas ruas da capital parecem paisagens de revistas, dada a quantidade de árvores preservadas. Na esquina das ruas Ferreira Pena com Ramos Ferreira, moradores como a comerciante Elisabete da Costa Oliveira, cuja loja, Sagaz Skate Shop, é protegida dos raios solares, delicia-se com o ar bucólico da área, que deve continuar com policiamento mais efetivo.
Além dessas, trechos da Monsenhor Coutinho, Getúlio Vargas, 10 de Julho e Epaminondas, ruas também do Centro, permitem desfrutar da proteção, ainda que rápida, contra o “calor infernal” que anda fazendo na cidade, como aponta o taxista Omar Nascimento, 49. No bairro de Adrianópolis, a rua Teresina, entre as avenidas Umberto Calderaro e Mário Ypiranga, têm acácias e nas avenidas Carvalho Leal e Castelo Branco, na Cachoeirinha, Zona Centro-Sul, também preservam exemplares de espécies como mangueiras.
MAIS VERDE
A mudança no tipo de poda, que não decepa mais todos os galhos da planta, comum há alguns anos, é uma das causas desse novo visual das árvores, explica o diretor de arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Nildo Menezes. O órgão acompanha, inclusive, o trabalho feito pelos servidores da empresa Manaus Energia na proteção à fiação elétrica e é cauteloso nas podas de segurança, quando a árvore representa risco para as pessoas ou veículos. A limpeza das ervas de passarinho é outro trabalho feito diariamente.
Embora haja predominância de oitis e mangueiras, a prefeitura não tem um levantamento de quantas árvores estão plantadas no Centro.
A Semmas está fazendo um diagnóstico da quantidade de árvores e verificando o estado sanitário delas. Outras espécies estão sendo inseridas nessa área, como o pau-pretinho, por não agredir o calçamento e nem ter copa grande. O importante, finaliza ele, não é plantar em quantidade, mas em qualidade, para proporcionar, além de beleza, conforto térmico.
Condutores buscam as árvores
A presença das árvores nas vias que têm tráfego pesado faz com que muitos condutoress prefiram seguir do lado da sombra enquanto são obrigados a pisar mais no freio do que no acelerador, seguindo o lento trânsito de Manaus. Elisabete, que mora na Ferreira Pena, teme pela retirada do policiamento da praça da Saudade, felizmente, segundo ela, livre dos bandidos disfarçados. “Aqui é um lugar maravilhoso agora, depois que a praça voltou a ser do povo”, comemora ela, que pede ainda mais iluminação ao local.
Sob as copas protetoras dos benjamins, os clientes de uma banca de tacacá consumem os quitutes ao som dos passarinhos, na rua Ramos Ferreira. Na mesma situação, aproveitando o refúgio proporcionado pelas árvores, um privilégio na cidade que dá, cada vez mais, lugar às edificações, os estudantes aproveitam as sombras para conversar e até estudar na rua Monsenhor Coutinho. O conforto térmico proporcionado pelas árvores é apontado pelos estudantes como algo bom. Mas eles reconhecem que nem sempre as pessoas cuidam das árvores. “Nós aprendemos a importância das árvores, mas precisamos colocar isso em prática”, revelou o estudante do ensino médio Carlos Fábio Soares, 16, para quem o que falta é sair do discurso para a prática da proteção.
Fonte: http://acritica.uol.com.br/manaus/Manaus-Amazonas-Amazonia-Sombras-diferenca_0_568743239.html _____________ Olá companheiros, eu gostaria de dizer que a cidade em que moro (Manaus) é a metropole verde no meio da Amazônia, porem infelizmente isso não condiz com a realidade.
É justamente o contrário, nossa cidade carece muito de um programa de arborização das vias, o calor intenso que assola a população poderia ser amenizado se tivessemos arvores ao longo das vias publicas, mas como exigir isso de um Governo que não se preocupa muito com essas questões? ou pior, de uma sucessão de governos que preferiram muitas vezes retirar árvores centenarias como por exemplo as mangueiras da Constantino Nery...
No mandato do Prefeito Serafim Corrêa o conselho municipal de meio ambiente estabeleceu uma norma de compensação ambiental, onde para cada árvore retirada na cidade, deveriam compensar com a doação de 5 mudas, pergunto: E o que foi feito com essas mudas? serviram de campanha para doação, no meu entendimento elas deveriam ser plantadas nas areas degradadas do municipio, porem isso não gera votos.
Senhores, façamos a nossa parte, plantemos nossas árvores!
Saudações Geológicas
Prof. Elias Santos Junior Manaus - Amazônia - Brasil
A bióloga Elisa Wandelli, integrante do movimento socioambienal 'SOS ENCONTRO DAS ÁGUAS', critica o local escolhido para a construção do denominado FUN PARK, às margens do Encontro das Águas. Saiba por quê."
_______________
Falta de respeito total com o maior patrimônio ambiental da cidade de Manaus e um dos cartões postais da Amazônia.
A poda sustentável de árvores na Amazônia brasileira para a extração de madeira pode gerar ao país receita anual de US$ 6 bilhões e 170 mil empregos, segundo um estudo encomendado pelo Governo.
O chamado manejo florestal sustentável, além de garantir a preservação a longo prazo do maior pulmão vegetal do mundo, e de gerar renda e emprego para os habitantes da Amazônia, pode se transformar em uma atividade econômica de utilidade para o Brasil, segundo o estudo encomendado pelo Ministério da Fazenda.
Apesar de o relatório não ter sido publicado, suas conclusões foram citadas em Belém pelo diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Antônio Carlos Hummel, para defender a rapidez na concessão de áreas da selva a madeireiros interessados em explorá-las de forma sustentável e combater a devastação sem controle.
"A principal conclusão do estudo é que a atividade que mais pode gerar renda e emprego na Amazônia e ao mesmo tempo manter a floresta de pé é o manejo florestal da madeira", disse Hummel à Agência Efe.
O estudo também identificou como atividade rentável o manejo de produtos como a castanha do Pará, o açaí e a borracha, "que podem gerar 500 mil empregos", acrescentou.
A renda calculada de US$ 6 bilhões anuais é mais que o dobro dos R$ 3,9 bilhões (US$ 2,4 bilhões) que o país obteve pela poda em áreas selváticas em 2009, quando o Brasil produziu 15,3 milhões de metros cúbicos de madeira na Amazônia.
Segundo números oficiais, dos cerca de US$ 8,58 bilhões que o Brasil recebeu em 2009 por atividades florestais, 66,4% tiveram origem na silvicultura (principalmente a exploração de florestas cultivadas para a produção de papel) e 28,6% vieram da poda de madeira nas selvas nativas.
A concessão de áreas da floresta para o manejo florestal foi regulamentada em 2006, mas é agora que começa sua caminhada.
A única área concedida e em exploração é a Floresta Nacional do Jamari (96.540 hectares), mas o SFB já adjudicou a floresta de Saracá (48.857 hectares), lançou a licitação para ceder a de Amará (210.161 hectares) e estudou outras seis áreas com um total de 1,1 milhão de hectares.
"Nosso objetivo é fechar este ano com um milhão de hectares concedidos e ter até 2025 dez milhões de hectares operados por concessionárias", indicou Hummel.
O diretor do SFB explicou que o Governo pode conceder dez milhões de hectares de floresta, outros dez milhões de hectares de áreas selváticas destinadas a assentamentos rurais e dez milhões de hectares de reservas extrativistas (que podem ser explorados de forma sustentável por seus habitantes).
"São cerca de 30 milhões de hectares de floresta que podem ser explorados de forma sustentável e legal mediante o manejo florestal da madeira", estimou.
Com os contratos, os madeireiros podem explorar as áreas por 40 anos mediante planos aprovados pelo Governo que só permitem a poda anual de 3,33% da concessão para poder garantir a recuperação da selva.
A concessionária precisa fazer um inventário dos recursos da reserva e comprometer-se a não extrair mais de 25 metros cúbicos de madeira por hectare, a manter 10% das árvores de pé para que possam fornecer sementes e a não cortar espécies com menos de três exemplares por hectare.
Segundo Hummel, o cumprimento dessas condições é fiscalizado através de satélites por três organismos do Governo e por auditorias independentes.
"Nosso maior objetivo é contar com uma estratégia de uso sustentável da floresta a longo prazo que mantenha a selva de pé e gere renda e emprego para os habitantes da região, o que evita o desmatamento", indicou o diretor do SFB.
As concessões são uma alternativa para os madeireiros desde que em 2003 o Governo suspendeu as autorizações de poda na Amazônia e reforçou o combate às práticas ilegais, o que reduziu de 260 a 30 o número de serrarias em uma das regiões mais exploradas.
Fonte: Portal Terra
_____________________
Comentário:
Isso é ciência e é disso que precisamos na Amazônia...ciência.
Porem é apenas o primeiro passo, os estudos nao podem gerar artigos, teses e dissertações e depois ficarem esquecidos em uma gaveta gerando poeira, precisam ser aplicados, precisamos levar o conhecimento cientifico para a comunidade, como fazer isso? saindo dos escritórios e laboratorios...vamos a luta.
Saudações Geológicas
Professor Elias Santos Junior
Manaus - Amazonas - Brasil
A Cachoeira Alta, considerada a maior e mais importante de Manaus, já perdeu mais de 80% do seu volume de água original e toda a base está ameaçada de desmoronamento.
Cachoeira Alta, localizada no bairro Tarumã, em Manaus, que passa por um grave processo de descaracterização. (Jo Farrah )
A ong Mata Viva, formada por moradores do bairro Tarumã, na Zona Centro-Oeste, iniciou um movimento pelo tombamento da mais importante cachoeira de Manaus: a Cachoeira Alta, que há muito tempo passa por um processo de degradação.
“Não é de hoje que a Cachoeira Alta do Tarumã enfrenta processo de desfiguração cênica, poluição e ocupação do leito do igarapé. No início as pedreiras que foram desativadas, mas local ficou abandonado e começou a ser invadido”, afirma o jornalista Jó Farrah, presidente da Mata Viva e morador do Tarumã.
Segundo Farrah, a destruição da Cachoeira Alta se intensificou em 2002, quando foi realizado na área o evento de música Ecosystem 2.0, promovido pelo Greenpeace.
Nos últimos anos, a invasão de terras e a criação de novos bairros comprometeram ainda mais o local. Outro agravante são as constantes obras de dragagem e de canalização executada por empresas imobiliárias.
Conforme o jornalista, o salto da Cachoeira Alta, cuja altura é de aproximadamente 30 metros, já perdeu 80% do volume de água original e a base da cachoeira está ameaçada de desmoronamento.
“A única cachoeira desse porte só tem no município de Presidente Figueiredo”, observou.
Internet
A campanha pelo tombamento, por enquanto, está restrito às ações na internet, via redes sociais.
A ong também lançou um blog com informações sobre a Cachoeira Alta e o igarapé que passa pelo local.
A campanha pretende recolher assinaturas para que a ong envie o pleito do tombamento ao órgão responsável, seja ele da esfera estadual ou federal.
“Fizemos o lançamento na internet em dezembro do ano passado como um experimento. Queremos tornar a Cachoeira e o igarapé em objetos ambientais conhecidos no mundo inteiro”, disse.
A mobilização, neste momento, está sendo realizada por meio do sítio http://aguabrancaonline.blogspot.com
Corredor
Um instrumento legal que poderia proteger a Cachoeira Alta seria o Corredor Ecológico das Cachoeiras Alta e Baixa do Tarumã, criado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).
No entanto, conforme Jó Farrah, o Corredor “não passou do papel”. “Já faz mais de um ano que ele foi criado e nada aconteceu. Enquanto isso, a desfiguração e a ocupação irregular das áreas vizinhas às cachoeiras continuam”, disse.
O igarapé que passa pela Cachoeira Alta também é especial. Segundo Farrah, ele é o único igarapé “vivo de Manaus”, da nascente até a foz, em seus 10 quilômetros de extensão.
“As cachoeiras Alta e Baixa do Tarumã sempre foram cartões postais de Manaus. A Cachoeira Alta, e Manaus antes era usada para cultos afro-brasileiros. Agora tem tanto esgoto que não á fazer nada. Descaso e omissão do poder público precisam ser revistos, por isso pedimos tombamento”, disse.
A assessoria de imprensa da Semmas foi procurada e confirmou que o Corredor Ecológico foi criado ano passado.
Sobre as ações que serão efetuadas a partir de sua criação, a assessoria disse que iria acionar o responsável pelo projeto e que, tão logo tivesse a informações, iria entrar em contato com a reportagem do acritica.com.
Assim que a assessoria da Semmas se manifestar, a resposta será publicada nesta matéria.
______________________________
Excelente iniciativa da Ong Mata Nativa, a forma mais facil de recuperar areas mineradas é transforma-las em parques. Os lagos ja estao prontos falta apenas implementar a infra-estrutura basica, tais como: passarelas, trilhas, quioques, etc.
A cidade de Curitiba apresenta varios exemplos desse tipo de recuperacao, cujo o principal expoente é a Pedreira Leminsk e a Opera de Arame.
Pena que em Manaus, coracao da Amazonia as coisas sejam tao dificeis de serem implementadas, nao pela falta de carinho de seus moradores mas sim pela falta de vontade politica de seus governantes.
Parabens a ONG MATA NATIVA. Estamos com voces em mais essa luta.
Além de ser um processo mais natural e que utiliza pouca matéria-prima, os gastos com o sistema são de 8 a 20 vezes inferiores ao processo tradicional.
São Paulo - A empresa americana Wastewater Compliance Systems Inc. desenvolveu uma maneira eficiente e barata de aproveitar microbióticos para o tratamento de águas poluídas. Algumas colônias microbióticas são capazes de consumir os agentes poluidores de rios e lagos.
O sistema, chamado Bio-domes, também é conhecido como Poo Gloos, graças à sua aparência, que lembra um iglu. Como os pequenos seres que limpam a água precisam de condições ideais de temperatura para se desenvolverem, a empresa criou os domos de plástico concêntrico, com 1,82 metros de diâmetro e 1,5 de altura.
Dentro dessa proteção existem tubos que liberam bolhas de ar, eliminadas através de pequenos buracos no topo de sua estrutura. Esse processo puxa a água do fundo, eliminando-a pela parte de cima. Instalados em fileiras, que variam em quantidade dependendo do tamanho do lago, os domos permanecem submersos na água, com baixa pressão do ar.
Durante o percurso pelo qual a água passa dentro dos domos, as bactérias contidas na estrutura limpam a água, retirando grande parte dos contaminadores presentes nela. Os resultados obtidos no projeto piloto mostram que a redução chega a 98%, nos níveis de amônia, de 85% a 95% nos resíduos sólidos e a demanda de oxigênio de 85% a 92%.
Além de ser um processo mais natural e que utiliza pouca matéria-prima, os gastos com os Bio-domes são de oito a 20 vezes inferiores ao processo tradicional. Enquanto o projeto americano usa de US$ 150 mil a US$ 500 mil, o tratamento mecanizado tradicional custa de US$ 4 a 10 milhões.
Esta e mais uma forma de tratamento de efluentes, importante destacar que o potencial biologico da Amazonia nos coloca a frente de outras nacoes, porem precisamos ampliar as pesquisas nessa area, precisamos ampliar o numero de Doutores na regiao, precisamos fazer funcionar efetivamente o CBA em Manaus alem de criar novos centros.
MANAUS - Ação Ordinária acionada pela Procuradoria Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM) pede a anulação do Processo Administrativo de tombamento do encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Em outubro do ano passado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiu tombar o fenômeno que forma o Rio Amazonas como patrimônio cultural. (O que move a PGE a entrar tardiamente em defesa dos interesses empresariais que giram em torno da construção de um terminal portuário por uma subsidiária da VALE em detrimento de um patrimônio natural que há muito deveria ter sido tombado, não fosse a incúria com que nossos patrimônios são tratados pelo poder público?)
De acordo com publicação da Agência Estado, o procurador-geral Frânio Lima afirma que houve falhas na condução do processo de tombamento concedido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan. Entre os problemas estaria o descumprimento de exigências, como de ampla defesa, participação pública e legalidade. (Que curioso! Não houve por parte da PGE o mesmo zelo para garantir os interesses populares contrários ao capital predador. Sabidamente a empresa construtora usou de todo tipo de expediente, e sobretudo do poder econômico, para iludir a opinião pública, abusando de procedimentos manipulatórios nas “audiências” públicas, a ponto de uma delas ter sido suspensa por liminar do Ministério Público. Dois pesos, duas medidas.)
Para a Procuradoria, seria insuficiente o tempo estipulado pelo Instituto – 15 dias – para a apresentação de defesa contrária ao tombamento pelo Governo do Estado. Alegação considera o tema de alta complexidade, não apenas pela área abrangida, mas também considerando os prejuízos econômicos que o tombamento pode causar. Segundo a decisão do Iphan, ficam protegidos os dez quilômetros contínuos do encontro das águas, além de 30 quilômetros quadrados do entorno. (Prejuízos para quem cara-pálida? O desenvolvimento que prescinde da proteção de nossos bens naturais é falacioso, como o tem demonstrado as vozes que se insurgem contra o projeto. E não me refiro aqui às manifestações do movimento SOS Encontro das Águas, cuja base é composta pela comunidade organizada do bairro Colônia Antônio Aleixo, tratados sistematicamente como neofóbicos por graduados funcionário públicos que perderam o amor pela cidade. Estes últimos são os mesmo que fecham os ouvidos para o discurso competente de uma dezena de experts sobre questões socioambientais. O desastre socioambiental anunciado por esses especialistas caracteriza a pratica de racismo ambiental, já que são as camadas mais baixas da escala social e econômica de Manaus que estão sendo ameaçadas. Pena que os operadores do direito não saibam utilizar esta noção moderna do direito ambiental - racismo ambiental - em defesa dos remanescentes das comunidades tradicionais residentes na região onde se pretende construir o terminal portuário. Vale lembrar que, na região em litígio, é lá que desovam os jaraquis, um dos pratos saborosos da culinária amazonense. Este detalhe não foi contemplado no relatório do impacto ambiental da obra, para ficar neste exemplo prosaico. Até mesmos as classes médias silenciosas coram de vergonha diante das ameaças que pairam na linha do horizonte, impotentes diante da força do capital predatório que ergue e destrói coisas belas, como dizia o poeta.) Leia também Encontro das Águas do Negro e Solimões é tombado pelo IphanTombamento de Encontro das Águas não impede construção de Porto das Lajes Ação da PGE-AM pede prazo de 120 dias para que o Estado manifeste conclusivamente sobre o assunto. Outra solicitação do órgão é a determinação judicial para realização de audiências e consultas públicas na cidade de Manaus sobre o assunto. O Encontro das Águas ocorre a poucos quilômetros da cidade de Manaus, a maior concentração habitacional da região. (O movimento SOS topa participar de quantas consultas públicas forem necessárias, desde que sejam consultas pra valer, porque até os ingleses não acreditam mais em consultas manipulatórias, como as poucas realizadas nos últimos dois anos.). O processo foi ajuizado na Justiça Federal ontem (17). (IP)
_____________________________
Comentario:
O texto acima foi extraido do blog PICICA de autoria do Dr Rogelio Casado, gosto muito desse blog pois trata as questoes de forma bastante critica porem com muita lucidez.
Tambem me causa espanto essa acao da PGE contra o tombamento do Encontro das Aguas, parece-me que todos aqueles que tem o poder de decisao estao contra os interesses da populacao e sempre a favor do capitalismo desenfreado, e veja bem eu sou capitalista...mas nao a ponto de vender os nossos maiores patrimonios.
Vamos continuar na luta!
Abracos a todos e parabens ao Rogelio pelo excelente blog!
O Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Amazonas – Senge/AM, Engenheiro Civil Wissler Botelho Barroso sensível a demanda dos profissionais da Engenharia, Arquitetura, Agrônomia e Geologia viabilizou por intermédio do Professor Antonio Estanislau Sanches, uma nova versão do Curso de Introdução ao uso das ferramentas de geoprocessamento, com ênfase no software ArcGIS 9.3.
O Curso de Introdução ao uso de Ferramentas de Geoprocessamento é uma promoção dos Cursos de Meteorologia; Engenharia Civil e Geografia da UEA e terá como Ministrantes o Prof. Antonio Estanislau Sanches do Curso de Engenharia Civil da EST/UEA e o Técnico em Geoprocessamento Olivaldo Patrício de Macedo da Costa, Chefe do Setor de Projetos Ambientais e Geoprocessamento - SEMMAS/PMM.
O Curso terá Duração de 40 horas aula e certificado expedido pela EST/UEA. O Período de realização será de 2/Agosto a 13/Agosto/2010 de segunda à sexta.
O Local de realização será na Sala C-27, laboratório de geoprocessamento da EST/UEA, Av. Darcy Vargas, 1.200 - Parque Dez, no Horário18 as 22 horas (Turma única - limitada a 25 alunos) e o investimento por aluno é de R$ 200,00 (duzentos reais), contatos através do e-mail: asanches@uea.edu.br ; asanches@uol.com.br ou fone: 9119 8959.
Com foco na Valorização Profissional será disponibilizado pelos promotores do evento todo material didático em forma digital, além da base de dados utilizada pela Prefeitura de Manaus e pelo governo do Amazonas.
52 anos, Bacharel em Geologia pela Universidade Federal do Amazonas em 1981, Brasil. Especialista em Economia Mineral e Especialista em Políticas Públicas, Administração de Minas, Escola de Minas de Paris, França. Departamento Nacional da Produção Mineral – DNPM/AM. Ministério de Minas e Energia, Avenida André Araújo, nº 2150, Petrópolis, CEP: 69.060-001, Manaus – AM, Brasil. E-mail: fredcruz8@hotmail.com.
De forma simplista coloca-se uma visão preliminar sobre as ocorrências das águas contidas no sub-solo do Estado do Amazonas e suas condicionantes, inclusive às relacionadas com as modificações da composição original, ocasionados pela presença de contaminantes. De forma pragmática, a água subterrânea do Estado do Amazonas é influenciada pelas condições geológicas locais, favorecida pelo volume e quantidade de rochas sedimentares, na maioria das vezes confinadas a rochas com frações arenosas que permite à existência de formações geológicas permeáveis, conhecidas como aqüíferas com qualidade que desponta como uma das melhores do Brasil.
As águas no Estado do Amazonas - Brasil são de suma importância, tanto para o consumo de todos os organismos presentes, incluindo o homem, como também, as superficiais, para serem utilizadas como o principal meio de transporte e comunicação, através da navegação nos rios e outros cursos d’água, tendo também inúmeras aplicações no Estado; localmente, é fonte alternativa de energia, produzida pela hidrelétrica de Balbina, Município de Presidente Figueiredo.
Qualquer tentativa de comentar sobre estudos de água subterrânea no Estado do Amazonas, obrigatoriamente, tem que se lembrar do ciclo realizado pelas moléculas de água, conhecido como “ciclo hidrológico”. Assim, a carência ou abundância de água subterrânea neste imenso espaço físico, é justificada pelo conhecimento das condicionantes presentes no ciclo acima citado. A relação escoamento/evaporação/infiltração não é constante na região e começa a ficar compremetida pelos seguintes aspectos: níveis elevados de compactação do solo, tornando menos permeáveis, principalmente nas áreas urbanas e nos empreendimentos agro-pecuários e de mineração; registros de desmatamentos que impedem a infiltração, tendo em vista que a vegetação retém água nas raízes, folhas e ramos e por fim contaminação generalizada das águas superficiais.
O atual nível de conhecimento não definiu a presença das chamadas “águas congênitas ou fósseis”, áquelas que depositaram juntamente com os sedimentos da bacia atual e da Paleozóica e que permaneceram aprisionadas nas litologias.
O nível do lençol freático no Estado é variável, pois depende do local avaliado e do clima da região. Entre os meses de dezembro a maio, o nível freático se eleva, porém no período de junho a novembro, período da estiagem, o lençol freático sofre um abaixamento.
Destarte, as águas subterrâneas presentes no Estado do Amazonas, possuem sais em solução em dosagens diminutas em comparação com as águas subterrâneas da região Sul, Sudeste e Centro-Oesta do Brasil e as qualidades e concentrações dos sais dependem do movimento da água, do ambiente (rocha hospedeira) e da fonte da mesma. Presentemente, não há quaquer citação no Estado, de ocorrência de “água dura”, áquela em que o teor de sais é elevado.
O espaço geográfico político do Amazonas, não permite afirmar que o subsolo do Estado é potencialmente favorável a conter volumes e vazões para todos os 62 Municipios desta Unidade Federativa, tendo em vista, que as rochas hospedeiras estão francamente associadas a Bacia Sedimentar Atual e as Bacias Sedimentares Paleozóica, rigidamente localizadas na parte central, centro-sul e centro-norte do Estado, excluindo os Municípios que estão assentados diretamente sobre o Escudo das Guianas e o Escudo Brasileiro e excepicionalmente, as restrições auferidas pelos sedimentos argilosos e siltosos da Formação Solimões.
O Estado do Amazonas dado às condições climáticas, o adensamento de rede hídrica, o potencial da fitomassa e o substrato rochoso atinente aos aportes estruturais e os tipos de rochas, constitui-se numa porção física com grande favorabilidade para conter valiosíssimos corpos de águas subterrâneas, isto é, deter uma grande capacidade hídrica subterrânea, com uma significativa diversidade química e físico-química, denotando em sua maioria, aqüíferos de constituição ácida (H+), dada à quantidade relativa de íons de hidrogênio dissolvidos no conteúdo aquoso, responsável por medidas de pH com valores situados em média entre 3,0 e 6,0. Até o presente momento, as análises físico-químicas e mineralógicas realizadas em diversas águas subterrâneas ocorrentes nos limites do Estado do Amazonas, posicionam na classe do tipo potável de mesa “Hipotermal na Fonte”.
O abastecimento de água da cidade de Manaus vem sendo realizado em parte por mananciais de origem superficial, pela detentora de prestação de serviços públicos e parte por poços de água subterrânea. Tendo em vista o grande crescimento demográfico ocorrido nestes últimos anos em Manaus, o sistema de abastecimento advindo da estação de tratamento de águas superficiais, encontra-se atualmente no limite da capacidade de operação.
A cidade de Manaus foi erguida sobre pacotes de sedimentos detríticos e marinhos das bacias sedimentares paleozóica e atual, atingindo espessuras superiores a dois mil metros na região de Manaus. Ao norte da cidade de Manaus foi perfurado o poço Mn – st – 01 - AZ pela PETROBRÁS, o qual atravessou uma espessura de 1.500 (mil e quinhentos) metros de sedimentos, sem conseguir atingir o embasamento cristalino. Certamente, este poço vem fornecendo importantes informações do comportamento litológico do pacote sedimentar, sem apresentar indicações das características hidráulicas dos aqüíferos atravessados. Os dados hidrológicos da cidade de Manaus referem-se ao sistema aqüífero mais superficial representado pela Formação Alter do Chão, contendo litologias de ampla ocorrência superficial na região, cujo depósito aqüífero vem sendo exaustivamente explorado por moradores, condomínios residenciais, núcleos populacionais e indústrias.
Este aqüífero tem um potencial hídrico tão volumoso como o conhecidíssimo aqüífero Guarany. Tomando por base o perfil geológico levantado por Souza, em 1974, na BR – 174 e os dados litológicos obtidos do poço Mn – st – 01 – AZ, confirma que a ocorrência e acumulação das águas subterrâneas na Bacia Sedimentar Amazônica, estão definidas pelas características litológicas, aspectos estratigráficos, estruturais e geomorfológicos. Conforme SOUZA (1974), “ observa-se na região uma estrutura monoclinal, com suave mergulho das camadas para sul, a partir da região de contato com o embasamento cristalino, condicionando a ocorrência de aqüíferos livres e confinados segundo uma sucessão rítmica, a partir das bordas em direção ao interior da bacia (sentido norte-sul), de acordo com o desenvolvimento litológico e estratigráfico das seqüências”.
Com base nas características litológicas da seqüência sedimentar sotoposta à cidade de Manaus, evidenciadas pelo poço Mn – st – 01 – AZ , percebe-se que as unidades de possível interesse hidrogeológico corresponde ao Grupo Trombetas e as Formações Prosperança, Monte Alegre e a Alter do Chão, face ao predominante caráter arenoso, enquanto que as Formações Maecuru, Curuá, Itaituba e Nova Olinda parecem pouco promissoras, ou por serem de caráter argiloso que responde por fraca capacidade produtiva, ou pelo caráter calcífero, dolomítico ou salino, que influencia negativamente na qualidade química da água armazenada. O aqüífero da Formação Monte Alegre, apesar de sua constituição arenosa, tem pouca importância hidrogeológica, devido à reduzida espessura na área de aproximadamente 24(vinte e quatro) metros. Portanto, os aqüíferos Alter do Chão, Trombetas e Prosperança, constituem com maiores possibilidades de capacidade produtiva para água subterrânea na cidade de Manaus.
O certo é que vários são os níveis de águas subterrâneas que percorrem a bacia atual (Cenozóica), e junto aos representantes sedimentares da bacia Paleozóica, esta última destacando-se pela melhor qualidade da água e pela vazão já comprovada pelos inúmeros estudos já conduzidos e pelas experiências realizadas pelas empresas que prestam serviço na captura e desenvolvimento de projetos de fornecimento de águas subterrâneas no Estado. Praticamente, existem águas subterrâneas desde pequenas profundidades (lençóis freáticos) até as grandes distâncias verticais, tendo em vista que existem corpos sedimentares da Bacia Paleozóica com reservas de água que atingem profundidades acima de 1.500 metros. Provavelmente, os corpos de arenitos, argilitos, siltitos, areno-siltitos e de areno-argilitos da base da Bacia Paleozóica Amazônica, devem constituir - sem nos melhores aqüíferos da região, dada à espessura destes corpos, o condicionamento estrutural e as dificuldades de contaminação.
Apesar da riqueza das águas superficiais que cortam as cidades dos Municípios do Estado incluindo Manaus, percebe-se hoje, uma descrença em ingeri-la “in natura”, tendo em vista já terem sido ultrapassados os níveis de tolerância de uso para determinadas substâncias, principalmente relativo aos índices de coliformes fecais, o que constitui num grande agravante para a saúde dos moradores locais. Concernente a cidade de Manaus, praticamente as camadas sociais da elite e da média, somente consomem água envazada, apesar dos esforços da concessionária de fornecimento público de água para a população em gerenciar um produto de qualidade de boa potabilidade.
No Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM no Estado do Amazonas, existem 33 (trinta e três) processos de outorga mineral, assim distribuídos): 06(seis) concessões de lavra – títulos que permitem a produção e comercialização; 01(um) requerimento de lavra; 21(vinte e um) alvarás de pesquisas; 03(três) requerimentos de pesquisa e 02(dois) processos que se encontram em disponibilidade. Em síntese, apenas 05(cinco) Municípios do Estado detém processos de regularização para o uso de água de subsolo: 20(vinte) em Manaus; 09(nove) em Presidente Figueiredo; 02(dois) em Iranduba; 01(um) em Apuí e 01(um) em Tabatinga.
Em 2007 (segundo dados dos Relatórios Anuais de Lavra, declarados pelas empresas concessionárias para a exploração de fonte, industrialização e comercialização de água subterrânea), o montante produzido e comercializado em água subterrânea envazada atingiu valores de 103.758.142 (cento e três milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil e cento e quarenta e dois) litros, apesar dos especialistas em economia mineral acreditarem que este valor representa apenas 30% do real consumo de água envasada, principalmente, levando-se em conta aos inúmeros poços clandestinos que comercializam água subterrânea e encontram-se espalhadas nos bairros de Manaus e não possuem o direito de outorga do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral.
Deve-se observar que uma boa quantidade da água comercializada, que tem como fato gerador o Estado do Amazonas, é destinada para mercados externos, a exemplo de Estados vizinhos e para países limítrofes da Amazônia; não devemos esquecer que a população local é também atendida por água importada produzida fora do Estado, como exemplo a sensível comercialização da Belágua do Estado do Pará, da Cristal – MG, Schincariol de Alagoinha – BA, de Itu - SP e Recife – PE, Monte Roraima – RR e Minalinda e Kaiary – RO. No Município de Tabatinga, o domínio da comercialização de água é na sua totalidade promovida por empresas do país vizinho Colômbia, destacando as marcas Água San José, Água Yarina, e Água Santos Anjos;
Conforme levantamentos estatísticos de 2007 e levando-se em consideração que apenas 50% da produção de água em Manaus foi registrada, estimou-se que em 2007, a real comercialização de água subterrânea engarrafada ficou aproximadamente na ordem de 207.516.284 litros; para o dado oficial de 2007 (103.758.142 - cento e três milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil e cento e quarenta e dois) litros), e tendo em vista que a população de Manaus alcançou neste ano, valores da ordem de 1.713.156 habitantes(Censo 2006, Prefeitura de Manaus), tivemos naquele ano, um consumo per capita (pessoa por litro) em Manaus da ordem de 60,56 litros/ano/pessoa; entretanto, se utilizarmos a estimativa de 207,52 milhões de litros, alcançaremos um consumo per capita de 121,13 litros/ano/pessoa, valor bastante expressivo para o cenário nacional.
Certamente, o alvo mercadológico exportador vincula-se a logística (estradas, rios, rotas aéreas curtas, etc) e proximidade geográfica; dentro deste cenário, configura-se todos os países no entorno da Bacia Amazônica(Bolívia, Peru, Colômbia a até mesmo o Equador e as Guianas) e por acesso rodoviário à Venezuela, ao Caribe e com os países da América Central. Isto leva a pensar que é francamente favorável sob o ponto de vista de economicidade, a exportação de água para os países amazônicos, a partir de produtores amazonenses.
As águas do subsolo de Manaus são de excelentes qualidades e possuem a sua captação através de poços tubulares profundos, que chegam a tingir profundidades acima de 200 metros e vazão superior a 50.000 litros por hora.
Dado a localização dos poços de captação de água das empresas no interior da malha urbana na cidade de Manaus, submete as empresas concessionárias pela explotação, industrialização e comercialização de água subterrânea na cidade de tomar uma séria de providências de precaução a proteção às suas captações tendo em vista estarem situados dentro do perímetro urbano da capital e, pelo fato de Manaus não deter nem 10% de rede de esgoto, havendo necessidade das mesmas criar alternativas de remanejamento do parque industrial para áreas livres de contaminação. Em síntese, hoje já existe no Estado do Amazonas, notadamente na cidade de Manaus, áreas de alta vulnerabilidade a riscos eminentes de poluição ao sistema de aqüíferos. Portanto, torna-se de suma importância a elaboração do mapa de áreas críticas dos aqüíferos para a condução de políticas públicas para a preservação, proteção e uso racional; neste contexto faz-se necessário o cadastro de cargas potencias de contaminação como: drenagens, adubação química, lixão, saneamento básico “in situ”, fertirrigação, cemitérios e postos de gasolina.
O Município de Presidente Figueiredo ocorrem águas subterrâneas de excelente qualidade em diversos locais em volumes superiores a 3000.000 litros por hora. A qualidade destas águas, com escoamento subterrâneo em rochas areníticas silicosas, expressas em volumes sensivelmente elevados, poder-se-ia muito bem rotular Presidente Figueiredo em ESTÂNCIA HIDROMINERAL DA AMAZÔNIA. São águas de extrema pureza, praticamente isenta de sais em solução e de poucos resíduos sólidos, o que não permite a formação de cálculos renais e biliares, além de serem antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres. Há de se acrescentar que no Município de Presidente Figueiredo, distante cerca de 107 km de Manaus, ao longo da Br-174 (Manaus - Boa Vista), existem corpos de água subterrânea surgente/tipo poços artesianos, de excelente qualidade, que dão a impressão que vão jorrar naturalmente na superfície, decorrente de pressão hidrostática, por derivarem de regiões de interseção de fraturas. São águas subterrâneas ditas quase puras, sem contaminantes naturais e que tem excelentes consumidores domésticos e industriais em diversos países.
São aqüíferos que estão hospedados nas rochas mais promissoras de água do Estado (parte basal da Bacia Paleozóica), como é no caso o aqüífero Trombetas(aqui denominado pela primeira vez), que é destacado na Sede e no Sul daquele Município por rochas areníticas, formadas pelos mares silurianos-devonianos, existentes há mais de 400 milhões de anos atrás. Este aqüífero é bastante extenso naquele Município chegando a aflorar, com águas límpidas e isentas de qualquer poluição.
O aqüífero Trombetas é favorecido pela boa seleção e granulação das partículas do arenito, que dá lugar a excelentes condições de porosidade, permeabilidade e armazenamento, o que reflete nas elevadas vazões presentes. Para alcançar este mesmo aqüífero na cidade de Manaus, é necessário realizar poços com profundidade média acima de 1.200 m (mil e duzentos metros), dependendo do local, tendo em vista que as rochas do Grupo Trombetas, muitas das vezes são somente atingidas por sondagem para pesquisa de petróleo, em níveis superiores a 1.500 m de profundidade; o aqüífero Trombetas, em dimensões, pode ser comparado com o aqüífero Guarany, em menor grandeza; cita-se ocorrências de fontes de águas surgentes, ao longo da Br -174, desde o km 98 até o km 128, com pH da ordem de 4,0 a 6,0 dependendo do local e da profundidade da água captada.
Registra-se que no Sul do Estado do Amazonas, precisamente no Município de Apuí, existe uma fonte de água surgente fluoretada com vazão superior de 20.000 litros por hora que quli-quntifica a despontar no futuro, como uma das águas de boa aceitação para o mercado interno e externo.
Estima-se que exista no Estado mais de 40.000 poços, produzindo anualmente mais de 800 milhões de litros de água. Desses poços, cerca de 75% tem vazão menor que 50.000 litros/h e aproximadamente 70% tem profundidade entre 40 e 80 metros.
Existe uma grande quantidade de poços ditos caseiros que foram abertos manualmente. O diâmetro médio da entrada dos mesmos varia de 1,0 a1,5 metros e a profundidade depende da vazão e das condições topográficas. A maioria destes poços localiza-se na periferia de Manaus e foram escavados próximos a fossas negras, e na época da estiagem, quando o nível do poço fica rebaixado, ocorre um funil de sucção que causa constantemente poluição do poço, por contaminação bacteriológica. Estes poços deveriam ter rigorosa fiscalização por parte da Coordenadoria de Vigilância Sanitária do Município de Manaus.
A falta de conhecimento da população manauara e ao mesmo tempo a necessidade de água para o consumo, aliado ao caótico sistema de abastecimento público de água, leva a uma enorme utilização de poços tipo cacimba, principalmente nos bairros carentes (novos) de saneamento básico de Manaus e de outros municípios, na qual o nível inferior dos poços fica a poucos metros de profundidade; isto leva a captação da água do lençol freático que possivelmente, já se encontra comprometido por contaminação de nitrato e de coliformes fecais, fruto da grande quantidade de fossas negras, sépticas e de igarapés poluídos na área urbana.
Na área urbana, os lixões existentes nos diversos municípios, vêm contribuindo para a degradação do meio ambiente e reforça a situação de fragilidade em que se encontram os recursos hídricos subterrâneos do Estado. Além disso, existem postos de combustíveis, em péssimo estado de conservação e uma grande proliferação de novos estabelecimentos, que também comprometem a qualidade dos aqüíferos. A ausência de tratamento de águas servidas/esgotos também oferece grandes riscos aos aqüíferos.
Nas áreas urbanas das cidades do Estado, próximas a cemitérios, é comum o lençol freático subir e ter contato com o cadáver em decomposição. Um cadáver, que pesa aproximadamente 70 kg, produz cerca de 30 kg de necrochorume. Além disso, esse mesmo cadáver produz aproximadamente 2 kg de nitrogênio que, em contato com as substâncias do solo, transforma-se em nitrato.
A maior ameaça na área rural é o avanço da monocultura intensiva sobre as denominadas áreas de recarga, onde a proximidade do aqüífero com a superfície o expõe à água da chuva ou dos rios e aos agrotóxicos trazidos por ambas; as áreas de recarga estão a uns 20m ou 30m da superfície, geralmente na área do próprio aqüífero (neste caso, dos lençóis freáticos).
Boa parte dos poços de abastecimentos públicos dos Municípios do Estado do Amazonas produz água com composição química em desacordo com dispositivos legais existentes. Destaca-se a contaminação por nitrato e alumínio em boa parte de poços que atende os Municípios. Os altos teores de nitrato refletem as deficiências do saneamento básico nas cidades, decorrente da ausência de um sistema de esgotamento sanitário e de uma estação de tratamento de água. Já as concentrações anômalas de alumínio são decorrentes da migração deste metal do solo para os ambientes aquosos. Nos poços rasos próximos de lixeiras e a jusante do fluxo das águas subterrâneas, há indícios de contaminação por chumbo acima do permitido pela legislação.
No caso do Município de Tabatinga, o fornecimento público de água é realizado a partir da captação superficial no rio Solimões, no setor sul da cidade, sendo responsabilidade da COSAMA – Cia de Saneamento do Amazonas. Um grande agravante para a saúde dos moradores de Tabatinga é que neste local, á águas do rio Solimões, já recebem toda água de esgoto servida do próprio Município de Tabatinga e da cidade de Letícia - Colômbia.
Porém, boa parte da população de Tabatinga, utiliza-se de poços rasos, de baixas vazões, com profundidades máximas de 25 metros, muita das vezes próximas de fossas e valas de águas servidas, no qual a maioria apresenta contaminação por coliformes, devido principalmente a falta de cultura em higienizar a água através do processo de cloração. Diante das restritas pesquisas de conhecimento geológico na Bacia Sedimentar do Solimões, registra-se que há possibilidade de existir até mesmo na cidade de Tabatinga, pacote relativamente espesso de níveis arenosos ou de cascalhos em terraços fluviais ou até mesmo em lentes com determinada espessura de arenito, confinada nas camadas de argilitos e siltitos da Formação Solimões, capazes de garantir volume e vazão de aqüífero de relativa monta para a Sede de Tabatinga.
É imprescindível a adoção de ações de políticas governamentais de saneamento básico concernente a oferta e o monitoramento das águas utilizadas pelos moradores do Município de Tabatinga.
É imprescindível a tomada de decisões no presente, pois o imaginário no futuro nos reserva conseqüências desastrosas para a qualidade de vida dos habitantes do Estado, que apesar de deter um grande reservatório mineral de água, por vezes esquece-se que este bem é finito.
Mesmo ciente que detemos uma das maiores reservas de água doce do Planeta Terra, há necessidade da institucionalização de políticas públicas estadual de responsabilidade em zelar e dotar de valoração a qualidade deste precioso bem mineral, principalmente para as futuras gerações. Mesmo com toda indiferença para a importância sócio-econômica e ambiental da qualidade das águas subterrâneas do Estado do Amazonas, onde até a presente atualidade nunca experimentamos qualquer manifestação de incentivo pelo Executivo Estadual e pelos representantes políticos do legislativo local e do Congresso Federal.
Nem tudo está perdido, mesmo porque ainda temos condições de estabelecer um amplo programa de aproveitamento econômico sustentável de nossos recursos hídricos subterrâneos e de reverter parte daquilo que já foi poluído e encontra-se em via de degradação ambiental e evitar no futuro a contaminação de majestosos mananciais subterrâneos que se límpidos e puros, constituirão na maior herança que poderemos resguardar para os nossos descendentes.
Comentario:
Professor Fred Cruz, obrigado por enviar o texto, bom contar com voce no nosso blog, um grande defensor do desenvolvimento da Amazonia.