Ola, esse blog reune algumas de minhas ideias, pensamentos e devaneios, porem apresenta tambem um resumo daquilo que leio e acho interessante na área do Coaching, Liderança e Gestão Comportamental, Motivação e estilo de vida, Geociências e Meio Ambiente.
Gostaria de saber sua opinião sobre as postagens, portanto ficaria feliz em receber seus comentários.
Entre e fique a vontade!!
Extraido de: Blog do Planeta - Revista Epoca em 15/03/2012
Foto: Gotas de chuva na Austrália em junho de 2009, após o país sofrer com uma de suas piores secas. Ian Waldie/Getty Images
Nesta semana, a França está sediando o Fórum Mundial da Água, que avalia o atual estágio e quais os desafios do abastecimento de água em todo o mundo. Uma tarefa necessária: já atingimos a marca de 7 bilhões de pessoas no mundo no ano passado, e estamos a caminho de chegar a 9 bilhões até 2050. Haverá água para todo mundo?
Os dados mostram que o desafio é grande. Segundo o “4º Relatório
Mundial sobre o Desenvolvimento da Água”, publicado pela Unesco no
primeiro dia do Fórum, já falta água em muitas regiões do mundo – o
Oriente Médio é um dos casos mais problemáticos – e a agricultura vai
precisar de pelo menos 19% mais água para poder alimentar a todos.
A América Latina, apesar de possuir grande parte da água potável do mundo, também enfrenta problemas:
Instituições fracas: Segundo o relatório, há nos
países da América Latina uma “incapacidade generalizada em estabelecer
instituições que são capazes de lidar com questões de abastecimento e
gestão da água”. Ou seja, instituições fracas e um sistema ruim de
governança e transparência podem comprometer nosso abastecimento de
água. As causas dessa incapacidade são atribuídas à falta de capacidade
operacional, falta de informações confiáveis sobre a gestão da água,
pressões políticas e ausência de financiamento. O relatório considera
que alguns países estão em melhor situação do que outros na região –
Brasil e México, por exemplo, tiveram progresso na gestão da água. Mas
se lembrarmos que quase a metade dos municípios do país ainda não têm rede de esgoto, vemos que estamos longe do ideal.
Pressão por recursos: O relatório também identifica
que mudanças sociais e econômicas podem apresentar desafios para a
gestão da água nos países da América Latina. No Brasil, o aumento de
consumo e surgimento de uma nova classe média aumenta a pressão por
recursos, que pode resultar em conflitos. O relatório usa como exemplo o
caso da polêmica usina hidrelétrica de Belo Monte, que opõe a pressão para gerar mais energia a necessidade de preservar rios e florestas.
“Exportar” água:As exportações de recursos naturais
impactam diretamente na demanda por água, e para avaliar esse impacto, a
Unesco trabalha com o conceito de “comércio de água virtual“.
A ideia é que, como se usa muita água em atividades como a mineração,
pecuária ou agricultura, por exemplo, um país que exporte minérios ou
alimentos também está exportando sua água. Esse conceito é importante
para o Brasil, já que grande parte da nossa economia é formada pelas
exportações do agronegócio.
É possível resolver tantos problemas? A Unesco acredita que sim, e o
terceiro volume inteiro do relatório é destinado a estudar 15 casos de
gestão de água em diferentes países. Saber quais as experiências que
funcionam e quais não é fundamental para adaptar os países ao desafio de
tornar o acesso à água universal.
O “4º Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento da Água” está disponível para download no site da Unesco.
(Bruno Calixto)
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Penso que é importante começar a traçar objetivos para que não soframos no futuro (breve?), porem de nada adianta reunir e discutir se não houver atitude por parte dos Governos Mundiais.
Esse ano temos a RIO +20 e pouco vejo discussões sobre o tema, recentemente numa faculdade ví um professor confundir a RIO+20 com a RIO Oil & Gás (mais antagônico impossivel) , o que mostra que mesmo na Academia essa discussão passa à margem.
E nós, o que estamos fazendo para mudar esse cenário?
Michael Wines, do The New York Times - disponivel aqui
(ThinkStock)
Elevando-se sobre a costa do Mar de Bohai, na periferia da cidade homônima, a Usina de Energia e Dessalinização de Pequim é uma maravilha técnica que custou ao governo chinês 26 bilhões de yuans - o equivalente a cerca de 4 bilhões de dólares. Trata-se de um gerador de temperaturas ultraelevadas alimentado a carvão, com controles de poluição de última geração, combinados a avançados equipamentos israelenses, que utilizam o calor excedente para destilar água salgada e transformá-la em água doce. Embora a ideia possa ser a solução para a produção de água potável, a conta tem um pequeno problema: a água que passa pelo processo de dessalinização tem um custo de produção duas vezes maior que seu preço de venda.
Mesmo assim, o proprietário do complexo, um conglomerado estatal chamado SDIC, está trabalhando para quadruplicar a capacidade de dessalinização da usina, e torná-la a maior da China. "Alguém tem que perder dinheiro", disse Guo Qigang, gerente geral da usina, em uma entrevista recente. "Somos uma empresa de propriedade do estado, e essa é nossa responsabilidade social". Em alguns lugares, isso seria uma loucura econômica, mas, na China, a atitude é encarada como uma estratégia econômica.
Como fez com os painéis solares e aero geradores, o governo estabeleceu o objetivo de se tornar uma potência em mais uma nova indústria relacionada ao meio ambiente: abastecer o mundo com água doce. O projeto Beijiang, no sul de Pequim, irá fortalecer a perícia chinesa na dessalinização, afinar a economia, ajudar a construir uma estrutura industrial e, enquanto isso, diminuir a falta de água crônica em Tianjin.
Dessalinização - "Os fatores de política são mais importantes que os fatores econômicos", disse Olivia Jensen, uma especialista em políticas hídricas chinesas e diretora da Infrastructure Economics, uma consultoria sediada em Cingapura. "Se o governo central diz que a dessalinização será uma área de foco, e que o dinheiro deve ir para a tecnologia de dessalinização, então isso irá acontecer".
A China está rapidamente se tornando um dos maiores mercados mundiais em crescimento para a água dessalinizada. A meta mais recente é quadruplicar a produção até 2020, dos atuais 680.000 metros cúbicos diários para pelo menos 3 milhões de metros cúbicos, equivalentes à produção de quase uma dúzia de outras usinas de 200 toneladas diárias, como a que está sendo expandida em Pequim.
Espera-se que o mais recente plano de cinco anos da China para o setor ordene o estabelecimento de uma indústria nacional de dessalinização, segundo Guo Yozhi, que lidera a Associação de Dessalinização da China. Institutos localizados em pelo menos seis cidades chinesas pesquisam avanços em membranas, a principal tecnologia presente nas técnicas de dessalinização mais sofisticadas e de melhor custo-benefício. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a mais alta agência estatal de planejamento chinesa, está rascunhando planos para fornecer tratamento preferencial para companhias nacionais que fabriquem equipamentos ou patenteiem tecnologias para dessalinização. Existem rumores sobre diminuição de impostos e empréstimos a juros baixos, para encorajar a produção nacional.
Em uma entrevista, Guo Yozhi definiu a atuação governamental na dessalinização como "simbólica", dizendo que o investimento governamental direto em projetos para água salgada não excede 10% de seu custo. Em comparação, disse, grandes investimentos em água como o enorme Projeto de Desvio de Águas Sul-Norte, que irá desviar água do rio Yangtzé do sul para o norte, são completamente financiados pelo governo.
Investimento - Ainda assim, os planos do governo poderiam significar um investimento de até 200 bilhões de yuans, ou aproximadamente 31 bilhões de dólares, das companhias estatais, agências governamentais e parceiros privados. O complexo de dessalinização de Beijiang, construído pela SDIC por ordem da Comissão de Desenvolvimento e Reforma como um projeto-conceito, foi quase completamente desenvolvido em Israel, enviado para Tianjin e montado localmente. Em todo o país, menos de 60% dos equipamentos e tecnologias de dessalinização são nacionais.
A meta da China é aumentar esse número para 90% até 2020, disse Jennie Peng, analista e especialista na indústria da água, no escritório de Pequim da Frost & Sullivan, empresa de consultoria sediada em San Antonio.
Existem muitas razões para a China querer uma indústria de dessalinização local, sendo que a menor delas não é a água doce local. Espera-se que a demanda por água na China cresça 63% até 2030 – mais que em qualquer outro lugar do planeta, segundo a Asia Water Project, uma organização de informações de mercado.
O norte da China há muito tempo sofre com a falta de água, e cidades de rápido crescimento como Pequim e Tianjin voltaram-se para programas extensos de reciclagem e conservação, para atenderem às necessidades. Em Tianjin, considerada uma cidade-modelo para a conservação de água, 90% da água utilizada na indústria é reciclada, 60% do sistema de irrigação da agricultura utiliza tecnologias de economia de água, e 238 quilômetros de tubulações serpenteiam abaixo da cidade. Os apartamentos situados dentro de uma área de 26 quilômetros quadrados da cidade possuem duas torneiras, uma de água potável, e uma de água reciclada, adequada para outros usos.
A usina Beijiang, uma de duas usinas desse tipo, abastece diariamente uma periferia em crescimento com 10.000 toneladas de água dessalinizada, e tem planos de, algum dia, bombear 180.000 toneladas. Um segundo estabelecimento com capacidade de 100.000 toneladas abastece uma enorme usina de produção de etileno, fora da cidade. A instalação enfrentou alguns obstáculos. A água destilada e livre de minerais "raspa" a ferrugem das tubulações da cidade em seu caminho até as torneiras, o que torna a água marrom e, além disso, alguns residentes desconfiam da água, dizendo que sua pureza significa que lhe faltam nutrientes. A usina está atendendo a ambas as reclamações, adicionando minerais à água.
Mas, alguns dizem que saciar a sede da China pode ser um efeito colateral benéfico da tentativa de atingir metas maiores. O mercado global para a tecnologia de dessalinização irá mais que quadruplicar até 2020, chegando a aproximadamente US $50 bilhões anuais, predisse em setembro a companhia de pesquisas SBI Energy _ e o aumento da escassez de água em todo o mundo parece garantir o crescimento futuro.
Além disso, as cada vez mais sofisticadas tecnologias de membranas que filtram o sal da água do mar podem ser aplicadas ao tratamento de esgotos, controle de poluição, e inúmeros outros usos de alta tecnologia. Ultrapassada de longe pelos produtores de membranas estrangeiros, que comandam pelo menos 85% do mercado, a China agora está decidida a desenvolver suas próprias tecnologias avançadas. Alguns especialistas dizem que é aí que reside o maior interesse por parte do governo. "Mais que para uso local, a ideia é desenvolver uma indústria de membranas chinesa", disse Jensen, a analista de Singapura. "Essa é fundamentalmente uma indústria de exportação, e não uma indústria criada para desenvolver uma China mais ecológica". Quaisquer que sejam suas motivações, a China já está correndo em direção a seus alvos.
Da mesma maneira que as indústrias estrangeiras correram para a China para garantirem um lugar no florescente mercado da energia eólica do país, a lista de empresas estrangeiras que mergulharam na indústria de dessalinização chinesa é longa: Hyflux de Singapura, Toray do Japão, Befesa da Espanha, Brack de Israel e ERI dos Estados Unidos, entre outras.
E, assim como os estrangeiros mudaram suas pesquisas em energia solar e produção para a China, as companhias de dessalinização estão deixando a sede para trás. A companhia norueguesa Aqualyng é parceira do governo da cidade de Pequim na construção de uma usina de dessalinização em Tangshan, cidade costeira a aproximadamente 217 quilômetros a leste de Pequim, e está estudando a mudança de suas fábricas da Europa para a China.
A ERI, que é sediada em São Francisco e afirma possuir a mais avançada tecnologia da indústria da dessalinização, está mudando suas instalações de pesquisa para a China. A empresa considera também a mudança de suas fábricas para daqui a alguns anos.
A maioria das companhias estrangeiras que atuam em território chinês formou parcerias com empresas estatais, para receber ajuda na captação de negócios e por proteção política - é preciso lembrar que o estado de direito e a proteção à propriedade intelectual são instáveis no país.
O presidente do conselho de administração da Aqualyng, Bernt Osthus, disse que o governo de Pequim tem sido "o mais próximo possível do parceiro ideal", com os noruegueses controlando a tecnologia e os chineses fornecendo o dinheiro e o know-how local. Ele acrescentou, no entanto, que a empresa estava considerando uma joint venture de pesquisa com um parceiro chinês. "Ao reduzirmos nossa participação nos equipamentos, formos uma parceria com uma estatal chinesa, e realocarmos nossa produção da Europa para a China, a tecnologia efetivamente se torna chinesa", disse ele. "Eu ainda sou o dono. Eu ainda sou o dono do meu pedaço do bolo. Estou apenas aumentando o tamanho desse bolo". E é um bolo muito grande.
"Há projetos de dessalinização em larga escala por toda a costa leste da China", disse o CEO da ERI, Thomas S. Rooney Jr. "Nossa empresa possui a mais avançada tecnologia de toda a indústria de dessalinização. E uma das ótimas características chinesas é que eles gostam de adotar as tecnologias mais avançadas".
"Você pode lutar contra eles ou juntar-se a eles, e nossa filosofia é de que a China provavelmente será o próximo grande mercado para a dessalinização", ele acrescentou. "Prefiro desenvolver tecnologia para a China na China, seguindo uma abordagem mais aberta, do que ficar com jogos de segredinhos”.
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Comentário:
Enquanto isso nós que moramos na maior bacia hidrográfica do mundo não conseguimos acesso à agua de qualidade em grande parte da cidade de Manaus.
52 anos, Bacharel em Geologia pela Universidade Federal do Amazonas em 1981, Brasil. Especialista em Economia Mineral e Especialista em Políticas Públicas, Administração de Minas, Escola de Minas de Paris, França. Departamento Nacional da Produção Mineral – DNPM/AM. Ministério de Minas e Energia, Avenida André Araújo, nº 2150, Petrópolis, CEP: 69.060-001, Manaus – AM, Brasil. E-mail: fredcruz8@hotmail.com.
De forma simplista coloca-se uma visão preliminar sobre as ocorrências das águas contidas no sub-solo do Estado do Amazonas e suas condicionantes, inclusive às relacionadas com as modificações da composição original, ocasionados pela presença de contaminantes. De forma pragmática, a água subterrânea do Estado do Amazonas é influenciada pelas condições geológicas locais, favorecida pelo volume e quantidade de rochas sedimentares, na maioria das vezes confinadas a rochas com frações arenosas que permite à existência de formações geológicas permeáveis, conhecidas como aqüíferas com qualidade que desponta como uma das melhores do Brasil.
As águas no Estado do Amazonas - Brasil são de suma importância, tanto para o consumo de todos os organismos presentes, incluindo o homem, como também, as superficiais, para serem utilizadas como o principal meio de transporte e comunicação, através da navegação nos rios e outros cursos d’água, tendo também inúmeras aplicações no Estado; localmente, é fonte alternativa de energia, produzida pela hidrelétrica de Balbina, Município de Presidente Figueiredo.
Qualquer tentativa de comentar sobre estudos de água subterrânea no Estado do Amazonas, obrigatoriamente, tem que se lembrar do ciclo realizado pelas moléculas de água, conhecido como “ciclo hidrológico”. Assim, a carência ou abundância de água subterrânea neste imenso espaço físico, é justificada pelo conhecimento das condicionantes presentes no ciclo acima citado. A relação escoamento/evaporação/infiltração não é constante na região e começa a ficar compremetida pelos seguintes aspectos: níveis elevados de compactação do solo, tornando menos permeáveis, principalmente nas áreas urbanas e nos empreendimentos agro-pecuários e de mineração; registros de desmatamentos que impedem a infiltração, tendo em vista que a vegetação retém água nas raízes, folhas e ramos e por fim contaminação generalizada das águas superficiais.
O atual nível de conhecimento não definiu a presença das chamadas “águas congênitas ou fósseis”, áquelas que depositaram juntamente com os sedimentos da bacia atual e da Paleozóica e que permaneceram aprisionadas nas litologias.
O nível do lençol freático no Estado é variável, pois depende do local avaliado e do clima da região. Entre os meses de dezembro a maio, o nível freático se eleva, porém no período de junho a novembro, período da estiagem, o lençol freático sofre um abaixamento.
Destarte, as águas subterrâneas presentes no Estado do Amazonas, possuem sais em solução em dosagens diminutas em comparação com as águas subterrâneas da região Sul, Sudeste e Centro-Oesta do Brasil e as qualidades e concentrações dos sais dependem do movimento da água, do ambiente (rocha hospedeira) e da fonte da mesma. Presentemente, não há quaquer citação no Estado, de ocorrência de “água dura”, áquela em que o teor de sais é elevado.
O espaço geográfico político do Amazonas, não permite afirmar que o subsolo do Estado é potencialmente favorável a conter volumes e vazões para todos os 62 Municipios desta Unidade Federativa, tendo em vista, que as rochas hospedeiras estão francamente associadas a Bacia Sedimentar Atual e as Bacias Sedimentares Paleozóica, rigidamente localizadas na parte central, centro-sul e centro-norte do Estado, excluindo os Municípios que estão assentados diretamente sobre o Escudo das Guianas e o Escudo Brasileiro e excepicionalmente, as restrições auferidas pelos sedimentos argilosos e siltosos da Formação Solimões.
O Estado do Amazonas dado às condições climáticas, o adensamento de rede hídrica, o potencial da fitomassa e o substrato rochoso atinente aos aportes estruturais e os tipos de rochas, constitui-se numa porção física com grande favorabilidade para conter valiosíssimos corpos de águas subterrâneas, isto é, deter uma grande capacidade hídrica subterrânea, com uma significativa diversidade química e físico-química, denotando em sua maioria, aqüíferos de constituição ácida (H+), dada à quantidade relativa de íons de hidrogênio dissolvidos no conteúdo aquoso, responsável por medidas de pH com valores situados em média entre 3,0 e 6,0. Até o presente momento, as análises físico-químicas e mineralógicas realizadas em diversas águas subterrâneas ocorrentes nos limites do Estado do Amazonas, posicionam na classe do tipo potável de mesa “Hipotermal na Fonte”.
O abastecimento de água da cidade de Manaus vem sendo realizado em parte por mananciais de origem superficial, pela detentora de prestação de serviços públicos e parte por poços de água subterrânea. Tendo em vista o grande crescimento demográfico ocorrido nestes últimos anos em Manaus, o sistema de abastecimento advindo da estação de tratamento de águas superficiais, encontra-se atualmente no limite da capacidade de operação.
A cidade de Manaus foi erguida sobre pacotes de sedimentos detríticos e marinhos das bacias sedimentares paleozóica e atual, atingindo espessuras superiores a dois mil metros na região de Manaus. Ao norte da cidade de Manaus foi perfurado o poço Mn – st – 01 - AZ pela PETROBRÁS, o qual atravessou uma espessura de 1.500 (mil e quinhentos) metros de sedimentos, sem conseguir atingir o embasamento cristalino. Certamente, este poço vem fornecendo importantes informações do comportamento litológico do pacote sedimentar, sem apresentar indicações das características hidráulicas dos aqüíferos atravessados. Os dados hidrológicos da cidade de Manaus referem-se ao sistema aqüífero mais superficial representado pela Formação Alter do Chão, contendo litologias de ampla ocorrência superficial na região, cujo depósito aqüífero vem sendo exaustivamente explorado por moradores, condomínios residenciais, núcleos populacionais e indústrias.
Este aqüífero tem um potencial hídrico tão volumoso como o conhecidíssimo aqüífero Guarany. Tomando por base o perfil geológico levantado por Souza, em 1974, na BR – 174 e os dados litológicos obtidos do poço Mn – st – 01 – AZ, confirma que a ocorrência e acumulação das águas subterrâneas na Bacia Sedimentar Amazônica, estão definidas pelas características litológicas, aspectos estratigráficos, estruturais e geomorfológicos. Conforme SOUZA (1974), “ observa-se na região uma estrutura monoclinal, com suave mergulho das camadas para sul, a partir da região de contato com o embasamento cristalino, condicionando a ocorrência de aqüíferos livres e confinados segundo uma sucessão rítmica, a partir das bordas em direção ao interior da bacia (sentido norte-sul), de acordo com o desenvolvimento litológico e estratigráfico das seqüências”.
Com base nas características litológicas da seqüência sedimentar sotoposta à cidade de Manaus, evidenciadas pelo poço Mn – st – 01 – AZ , percebe-se que as unidades de possível interesse hidrogeológico corresponde ao Grupo Trombetas e as Formações Prosperança, Monte Alegre e a Alter do Chão, face ao predominante caráter arenoso, enquanto que as Formações Maecuru, Curuá, Itaituba e Nova Olinda parecem pouco promissoras, ou por serem de caráter argiloso que responde por fraca capacidade produtiva, ou pelo caráter calcífero, dolomítico ou salino, que influencia negativamente na qualidade química da água armazenada. O aqüífero da Formação Monte Alegre, apesar de sua constituição arenosa, tem pouca importância hidrogeológica, devido à reduzida espessura na área de aproximadamente 24(vinte e quatro) metros. Portanto, os aqüíferos Alter do Chão, Trombetas e Prosperança, constituem com maiores possibilidades de capacidade produtiva para água subterrânea na cidade de Manaus.
O certo é que vários são os níveis de águas subterrâneas que percorrem a bacia atual (Cenozóica), e junto aos representantes sedimentares da bacia Paleozóica, esta última destacando-se pela melhor qualidade da água e pela vazão já comprovada pelos inúmeros estudos já conduzidos e pelas experiências realizadas pelas empresas que prestam serviço na captura e desenvolvimento de projetos de fornecimento de águas subterrâneas no Estado. Praticamente, existem águas subterrâneas desde pequenas profundidades (lençóis freáticos) até as grandes distâncias verticais, tendo em vista que existem corpos sedimentares da Bacia Paleozóica com reservas de água que atingem profundidades acima de 1.500 metros. Provavelmente, os corpos de arenitos, argilitos, siltitos, areno-siltitos e de areno-argilitos da base da Bacia Paleozóica Amazônica, devem constituir - sem nos melhores aqüíferos da região, dada à espessura destes corpos, o condicionamento estrutural e as dificuldades de contaminação.
Apesar da riqueza das águas superficiais que cortam as cidades dos Municípios do Estado incluindo Manaus, percebe-se hoje, uma descrença em ingeri-la “in natura”, tendo em vista já terem sido ultrapassados os níveis de tolerância de uso para determinadas substâncias, principalmente relativo aos índices de coliformes fecais, o que constitui num grande agravante para a saúde dos moradores locais. Concernente a cidade de Manaus, praticamente as camadas sociais da elite e da média, somente consomem água envazada, apesar dos esforços da concessionária de fornecimento público de água para a população em gerenciar um produto de qualidade de boa potabilidade.
No Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM no Estado do Amazonas, existem 33 (trinta e três) processos de outorga mineral, assim distribuídos): 06(seis) concessões de lavra – títulos que permitem a produção e comercialização; 01(um) requerimento de lavra; 21(vinte e um) alvarás de pesquisas; 03(três) requerimentos de pesquisa e 02(dois) processos que se encontram em disponibilidade. Em síntese, apenas 05(cinco) Municípios do Estado detém processos de regularização para o uso de água de subsolo: 20(vinte) em Manaus; 09(nove) em Presidente Figueiredo; 02(dois) em Iranduba; 01(um) em Apuí e 01(um) em Tabatinga.
Em 2007 (segundo dados dos Relatórios Anuais de Lavra, declarados pelas empresas concessionárias para a exploração de fonte, industrialização e comercialização de água subterrânea), o montante produzido e comercializado em água subterrânea envazada atingiu valores de 103.758.142 (cento e três milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil e cento e quarenta e dois) litros, apesar dos especialistas em economia mineral acreditarem que este valor representa apenas 30% do real consumo de água envasada, principalmente, levando-se em conta aos inúmeros poços clandestinos que comercializam água subterrânea e encontram-se espalhadas nos bairros de Manaus e não possuem o direito de outorga do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral.
Deve-se observar que uma boa quantidade da água comercializada, que tem como fato gerador o Estado do Amazonas, é destinada para mercados externos, a exemplo de Estados vizinhos e para países limítrofes da Amazônia; não devemos esquecer que a população local é também atendida por água importada produzida fora do Estado, como exemplo a sensível comercialização da Belágua do Estado do Pará, da Cristal – MG, Schincariol de Alagoinha – BA, de Itu - SP e Recife – PE, Monte Roraima – RR e Minalinda e Kaiary – RO. No Município de Tabatinga, o domínio da comercialização de água é na sua totalidade promovida por empresas do país vizinho Colômbia, destacando as marcas Água San José, Água Yarina, e Água Santos Anjos;
Conforme levantamentos estatísticos de 2007 e levando-se em consideração que apenas 50% da produção de água em Manaus foi registrada, estimou-se que em 2007, a real comercialização de água subterrânea engarrafada ficou aproximadamente na ordem de 207.516.284 litros; para o dado oficial de 2007 (103.758.142 - cento e três milhões, setecentos e cinqüenta e oito mil e cento e quarenta e dois) litros), e tendo em vista que a população de Manaus alcançou neste ano, valores da ordem de 1.713.156 habitantes(Censo 2006, Prefeitura de Manaus), tivemos naquele ano, um consumo per capita (pessoa por litro) em Manaus da ordem de 60,56 litros/ano/pessoa; entretanto, se utilizarmos a estimativa de 207,52 milhões de litros, alcançaremos um consumo per capita de 121,13 litros/ano/pessoa, valor bastante expressivo para o cenário nacional.
Certamente, o alvo mercadológico exportador vincula-se a logística (estradas, rios, rotas aéreas curtas, etc) e proximidade geográfica; dentro deste cenário, configura-se todos os países no entorno da Bacia Amazônica(Bolívia, Peru, Colômbia a até mesmo o Equador e as Guianas) e por acesso rodoviário à Venezuela, ao Caribe e com os países da América Central. Isto leva a pensar que é francamente favorável sob o ponto de vista de economicidade, a exportação de água para os países amazônicos, a partir de produtores amazonenses.
As águas do subsolo de Manaus são de excelentes qualidades e possuem a sua captação através de poços tubulares profundos, que chegam a tingir profundidades acima de 200 metros e vazão superior a 50.000 litros por hora.
Dado a localização dos poços de captação de água das empresas no interior da malha urbana na cidade de Manaus, submete as empresas concessionárias pela explotação, industrialização e comercialização de água subterrânea na cidade de tomar uma séria de providências de precaução a proteção às suas captações tendo em vista estarem situados dentro do perímetro urbano da capital e, pelo fato de Manaus não deter nem 10% de rede de esgoto, havendo necessidade das mesmas criar alternativas de remanejamento do parque industrial para áreas livres de contaminação. Em síntese, hoje já existe no Estado do Amazonas, notadamente na cidade de Manaus, áreas de alta vulnerabilidade a riscos eminentes de poluição ao sistema de aqüíferos. Portanto, torna-se de suma importância a elaboração do mapa de áreas críticas dos aqüíferos para a condução de políticas públicas para a preservação, proteção e uso racional; neste contexto faz-se necessário o cadastro de cargas potencias de contaminação como: drenagens, adubação química, lixão, saneamento básico “in situ”, fertirrigação, cemitérios e postos de gasolina.
O Município de Presidente Figueiredo ocorrem águas subterrâneas de excelente qualidade em diversos locais em volumes superiores a 3000.000 litros por hora. A qualidade destas águas, com escoamento subterrâneo em rochas areníticas silicosas, expressas em volumes sensivelmente elevados, poder-se-ia muito bem rotular Presidente Figueiredo em ESTÂNCIA HIDROMINERAL DA AMAZÔNIA. São águas de extrema pureza, praticamente isenta de sais em solução e de poucos resíduos sólidos, o que não permite a formação de cálculos renais e biliares, além de serem antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres. Há de se acrescentar que no Município de Presidente Figueiredo, distante cerca de 107 km de Manaus, ao longo da Br-174 (Manaus - Boa Vista), existem corpos de água subterrânea surgente/tipo poços artesianos, de excelente qualidade, que dão a impressão que vão jorrar naturalmente na superfície, decorrente de pressão hidrostática, por derivarem de regiões de interseção de fraturas. São águas subterrâneas ditas quase puras, sem contaminantes naturais e que tem excelentes consumidores domésticos e industriais em diversos países.
São aqüíferos que estão hospedados nas rochas mais promissoras de água do Estado (parte basal da Bacia Paleozóica), como é no caso o aqüífero Trombetas(aqui denominado pela primeira vez), que é destacado na Sede e no Sul daquele Município por rochas areníticas, formadas pelos mares silurianos-devonianos, existentes há mais de 400 milhões de anos atrás. Este aqüífero é bastante extenso naquele Município chegando a aflorar, com águas límpidas e isentas de qualquer poluição.
O aqüífero Trombetas é favorecido pela boa seleção e granulação das partículas do arenito, que dá lugar a excelentes condições de porosidade, permeabilidade e armazenamento, o que reflete nas elevadas vazões presentes. Para alcançar este mesmo aqüífero na cidade de Manaus, é necessário realizar poços com profundidade média acima de 1.200 m (mil e duzentos metros), dependendo do local, tendo em vista que as rochas do Grupo Trombetas, muitas das vezes são somente atingidas por sondagem para pesquisa de petróleo, em níveis superiores a 1.500 m de profundidade; o aqüífero Trombetas, em dimensões, pode ser comparado com o aqüífero Guarany, em menor grandeza; cita-se ocorrências de fontes de águas surgentes, ao longo da Br -174, desde o km 98 até o km 128, com pH da ordem de 4,0 a 6,0 dependendo do local e da profundidade da água captada.
Registra-se que no Sul do Estado do Amazonas, precisamente no Município de Apuí, existe uma fonte de água surgente fluoretada com vazão superior de 20.000 litros por hora que quli-quntifica a despontar no futuro, como uma das águas de boa aceitação para o mercado interno e externo.
Estima-se que exista no Estado mais de 40.000 poços, produzindo anualmente mais de 800 milhões de litros de água. Desses poços, cerca de 75% tem vazão menor que 50.000 litros/h e aproximadamente 70% tem profundidade entre 40 e 80 metros.
Existe uma grande quantidade de poços ditos caseiros que foram abertos manualmente. O diâmetro médio da entrada dos mesmos varia de 1,0 a1,5 metros e a profundidade depende da vazão e das condições topográficas. A maioria destes poços localiza-se na periferia de Manaus e foram escavados próximos a fossas negras, e na época da estiagem, quando o nível do poço fica rebaixado, ocorre um funil de sucção que causa constantemente poluição do poço, por contaminação bacteriológica. Estes poços deveriam ter rigorosa fiscalização por parte da Coordenadoria de Vigilância Sanitária do Município de Manaus.
A falta de conhecimento da população manauara e ao mesmo tempo a necessidade de água para o consumo, aliado ao caótico sistema de abastecimento público de água, leva a uma enorme utilização de poços tipo cacimba, principalmente nos bairros carentes (novos) de saneamento básico de Manaus e de outros municípios, na qual o nível inferior dos poços fica a poucos metros de profundidade; isto leva a captação da água do lençol freático que possivelmente, já se encontra comprometido por contaminação de nitrato e de coliformes fecais, fruto da grande quantidade de fossas negras, sépticas e de igarapés poluídos na área urbana.
Na área urbana, os lixões existentes nos diversos municípios, vêm contribuindo para a degradação do meio ambiente e reforça a situação de fragilidade em que se encontram os recursos hídricos subterrâneos do Estado. Além disso, existem postos de combustíveis, em péssimo estado de conservação e uma grande proliferação de novos estabelecimentos, que também comprometem a qualidade dos aqüíferos. A ausência de tratamento de águas servidas/esgotos também oferece grandes riscos aos aqüíferos.
Nas áreas urbanas das cidades do Estado, próximas a cemitérios, é comum o lençol freático subir e ter contato com o cadáver em decomposição. Um cadáver, que pesa aproximadamente 70 kg, produz cerca de 30 kg de necrochorume. Além disso, esse mesmo cadáver produz aproximadamente 2 kg de nitrogênio que, em contato com as substâncias do solo, transforma-se em nitrato.
A maior ameaça na área rural é o avanço da monocultura intensiva sobre as denominadas áreas de recarga, onde a proximidade do aqüífero com a superfície o expõe à água da chuva ou dos rios e aos agrotóxicos trazidos por ambas; as áreas de recarga estão a uns 20m ou 30m da superfície, geralmente na área do próprio aqüífero (neste caso, dos lençóis freáticos).
Boa parte dos poços de abastecimentos públicos dos Municípios do Estado do Amazonas produz água com composição química em desacordo com dispositivos legais existentes. Destaca-se a contaminação por nitrato e alumínio em boa parte de poços que atende os Municípios. Os altos teores de nitrato refletem as deficiências do saneamento básico nas cidades, decorrente da ausência de um sistema de esgotamento sanitário e de uma estação de tratamento de água. Já as concentrações anômalas de alumínio são decorrentes da migração deste metal do solo para os ambientes aquosos. Nos poços rasos próximos de lixeiras e a jusante do fluxo das águas subterrâneas, há indícios de contaminação por chumbo acima do permitido pela legislação.
No caso do Município de Tabatinga, o fornecimento público de água é realizado a partir da captação superficial no rio Solimões, no setor sul da cidade, sendo responsabilidade da COSAMA – Cia de Saneamento do Amazonas. Um grande agravante para a saúde dos moradores de Tabatinga é que neste local, á águas do rio Solimões, já recebem toda água de esgoto servida do próprio Município de Tabatinga e da cidade de Letícia - Colômbia.
Porém, boa parte da população de Tabatinga, utiliza-se de poços rasos, de baixas vazões, com profundidades máximas de 25 metros, muita das vezes próximas de fossas e valas de águas servidas, no qual a maioria apresenta contaminação por coliformes, devido principalmente a falta de cultura em higienizar a água através do processo de cloração. Diante das restritas pesquisas de conhecimento geológico na Bacia Sedimentar do Solimões, registra-se que há possibilidade de existir até mesmo na cidade de Tabatinga, pacote relativamente espesso de níveis arenosos ou de cascalhos em terraços fluviais ou até mesmo em lentes com determinada espessura de arenito, confinada nas camadas de argilitos e siltitos da Formação Solimões, capazes de garantir volume e vazão de aqüífero de relativa monta para a Sede de Tabatinga.
É imprescindível a adoção de ações de políticas governamentais de saneamento básico concernente a oferta e o monitoramento das águas utilizadas pelos moradores do Município de Tabatinga.
É imprescindível a tomada de decisões no presente, pois o imaginário no futuro nos reserva conseqüências desastrosas para a qualidade de vida dos habitantes do Estado, que apesar de deter um grande reservatório mineral de água, por vezes esquece-se que este bem é finito.
Mesmo ciente que detemos uma das maiores reservas de água doce do Planeta Terra, há necessidade da institucionalização de políticas públicas estadual de responsabilidade em zelar e dotar de valoração a qualidade deste precioso bem mineral, principalmente para as futuras gerações. Mesmo com toda indiferença para a importância sócio-econômica e ambiental da qualidade das águas subterrâneas do Estado do Amazonas, onde até a presente atualidade nunca experimentamos qualquer manifestação de incentivo pelo Executivo Estadual e pelos representantes políticos do legislativo local e do Congresso Federal.
Nem tudo está perdido, mesmo porque ainda temos condições de estabelecer um amplo programa de aproveitamento econômico sustentável de nossos recursos hídricos subterrâneos e de reverter parte daquilo que já foi poluído e encontra-se em via de degradação ambiental e evitar no futuro a contaminação de majestosos mananciais subterrâneos que se límpidos e puros, constituirão na maior herança que poderemos resguardar para os nossos descendentes.
Comentario:
Professor Fred Cruz, obrigado por enviar o texto, bom contar com voce no nosso blog, um grande defensor do desenvolvimento da Amazonia.
Tráfico da água da Amazônia foi denunciada pela revista jurídica “Conselux”,
citando uma empresa norueguesa
BRASÍLIA (Agência Amazônia) - A Câmara vai apurar as denúncias de tráfico de água doce dos rios da Amazônia. Decisão neste sentido foi tomada pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional dois meses após a Agência Amazônia revelar que navios-tanques de várias nacionalidades estariam roubando águas de rios brasileiros.
A investigação foi pedida pelos deputados Lupércio Ramos (PMDB-AM) e Francisco Praciano (PT-AM). No requerimento pedem a realização de audiência com os ministérios do Meio Ambiente, da Defesa, e os diretores da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Polícia Federal.
O roubo de água dos rios da Amazônia foi denunciado na edição 310 da revista jurídica “Conselux” e repercutida por esta agência. Num texto sobre a Organização Mundial de Água e o mercado internacional de água, a revista afirma: “Navios-tanques estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”.
A publicação relata ainda que o comércio estaria tão avançado ao ponto de empresas internacionais, entre as quais a norueguesa Nordic Water Supply Co., terem desenvolvidos modernas tecnologias para a captação da água. A Nordic teria inclusive até firmado contratos de exportação de água a partir do emprego dessas técnicas para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.
Segundo a denúncia da revista, a captação geralmente é feita no ponto que o Rio Amazonas deságua no Oceano Atlântico. Os indícios são de que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce que, depois, seria engarrafada na Europa e no Oriente Médio. A “Consulex” explica que a procura pela água farta do Brasil ocorre por um motivo simples: o baixo custo de beneficiamento. Para tratar a água retirada os hidropiratas gastam US$ 0,80 em média para tirar a turbidez da água. A dessalinização das águas oceânicas sai por US$ 1,50 o metro cúbico.
Materia extraida de: http://www.acritica.com.br/ dia 15 de abril de 2010.
________________________________ Comentario:
Essa estória circula em Manaus já faz tempo, ouvi isso pela primeira vez em 2203 em uma palestra apresentada pela Dra. Luciana Valente (ex-secretaria da SEMMA) quando eu fazia Especialização em Gerenciamento e Planejamento de Águas na UFAM.
Ela citava que os navios que trazem os insumos da Europa, Ásia e EUA para serem manufaturados no Pólo Industrial de Manaus ao aportarem na cidade sempre trocavam seus latros, e que estes navios para retornarem aos seus portos de origem necessitavam reconstituir este lastro.
O fato é que realmente é comum observarmos na orla de Manaus vários navios com a quilha de fora, e todos sabem que sem o lastro esses navios não conseguiriam atravessar os oceanos em segurança.
A pergunta é: será que ao chegar ao Oriente Médio e outros destinos os navios jogam essas toneladas de água doce fora também? Com um barril de água valendo três de petróleo eu duvido muito...
Só nos cabe fiscalizar e cobrar providencias das autoridades competentes.
Em homenagem ao maior rio do mundo, posto abaixo a letra e video da musica Amazonas Moreno do Grupo Raizes Cablocas.
Saudações Geológicas
Prof. Elias Santos Junior
Manaus – Amazonas - Brasil
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Amazonas Moreno - Grupo Raizes Cablocas
Amazonas moreno,
tuas águas sagradas
são lindas estradas
são contos de fadas
ó meu doce rio
A canoa que passa
O vôo da garça
as gaivotas cantando
em ti vão deixando
o gosto de amar
É o caboclo sonhando
que entoa remando
o seu triste penar.
Neste poema de bolhas
que ressoa nas folhas
da linda floresta
do meu rio mar
Neste poema de bolhas
que ressoa nas folhas
da linda floresta do meu rio mar
é o caboclo sonhando
que entoa remando
o seu triste penar
neste caudal tão bonito
que é o desejo infinito
de plantar meu grito
nas ondas do mar
Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) divulgarão oficialmente na semana que vem a descoberta do que afirmam ser o maior aquífero do mundo. A imensa reserva subterrânea sob os Estados do Pará, Amazonas e Amapá tem o nome provisório de Aquífero Alter do Chão - em referência à cidade de mesmo nome, centro turístico perto de Santarém.
"Temos estudos pontuais e vários dados coletados ao longo de mais de 30 anos que nos permitem dizer que se trata da maior reserva de água doce subterrânea do planeta. É maior em espessura que o Aquífero Guarani, considerado pela comunidade científica o maior do mundo", assegura Milton Matta, geólogo da UFPA. A capacidade do aquífero não foi estabelecida. Os dados preliminares indicam que ele possui uma área de 437,5 mil quilômetros quadrados e espessura média de 545 metros. "É menor em extensão, mas maior em espessura do que o Guarani."
Matta cita a porosidade da rocha em que a água está depositada como um dos indícios do potencial do reservatório. "A rocha é muito porosa, o que indica grande capacidade de reserva de água. Além do mais, a permeabilidade - a conexão entre os poros da rocha - também é grande."
Segundo ele, apesar de as dimensões da reserva não terem sido mapeadas, sai do aquífero a água que abastece 100% de Santarém e quase toda Manaus. "A vazão dos poços perfurados na região do aquífero é outro indício de que sua reserva é muito grande", afirma Matta.
Para o geólogo Ricardo Hirata, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, a comparação com o Guarani é interessante como referência, mas complicada. "O Guarani é um aquífero extremamente importante para o Brasil e para a América Latina, mas não é o maior do mundo. Há pelo menos um aquífero, na Austrália, que é maior que o Guarani", contesta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Realmente grande parte do abastecimento de agua na cidade de Manaus é feito atraves de captaçao a partir de poços tubulares, agora precisamos de mais dados para confirmar essas dimensoes.
Ola senhores, essa semana que passou tivemos a comemoração do Dia Mundial da Água.
Em alusão a esta data realizamos no dia 25 de março um evento nas dependências do Teatro Uninorte visando promover uma discussão sobre a temática, evento este que foi presidido pelo Geógrafo Prof. Mauro Bechman (Coordenador dos Cursos de Licenciatura em Geografia e Tecnologia em Petróleo e Gás).
Os presentes puderam assistir brilhante apresentação do Geógrafo Prof. Jose Roselito Carmelo que apresentou a palestra Água: Abundância ou Escassez?, na qual discutiu alem do ciclo hidrológico, a distribuição de água no planeta, as Guerras pela Água como também a pirataria e roubo de águas.
Finalizando o evento tentamos realizar uma campanha de conscientização ambiental utilizando como ferramenta o vídeo “Não desperdice água” de autoria de Weimar Oliveira preparado para ser visualizado em aparelhos celulares e mp4.
Esta atividade foi formulada por mim, Prof. Elias Santos Junior e consistia no seguinte: Após o Prof. Jose Roselito iniciar a apresentação começamos a transferir o vídeo via Bluetooth para os presentes na platéia, os quais deveriam ao longo do evento transferir para outras pessoas, funcionando como um vídeo-viral, ou seja, aqueles vídeos que são repassados de aparelho para aparelho se espalhando como um vírus de computador.
Destaca-se que os presentes foram avisados que estaríamos passando o vídeo via Bluetooth e que estes deveriam repassar aos outros, sendo então exposta a fabula que conta o incêndio em uma floresta, onde um passarinho carregando em seu bico uma gota de água contribui fazendo a sua parte no combate ao incêndio.
No meu entendimento o resultado ficou aquém do esperado pois a maioria dos presentes após receberem o vídeo o assistiam e em seguida guardavam os aparelhos o que resultou em uma pequena taxa de transferência, por conseguinte uma baixa taxa de divulgação. Cada vez mais acredito que nao adianta conscientizacao se nao houver ATITUDE.
Contudo entendo que no geral o evento foi um sucesso, ficando plantada a idéia de que precisamos mudar comportamentos e atitudes para com o uso dos recursos naturais.