quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Mito da Reciclagem - Autor: José Henrique Penido*

Texto publicado no livro Jardim Gramacho de Marcos Prado (Argumento Editora).

Afinal, reciclar pra quê? Vale a pena? É uma atitude politicamente correta? Reciclar o quê, quando, como, por quê? De um modo geral, as pessoas nem se fazem estas perguntas, mas obedecem a um instinto superior, a um mantra da sociedade de consumo moderna, que se repete sem cessar: reciclar é bom, reciclar é preciso, vamos todos reciclar, vamos salvar o planeta reciclando.

As coisas não são tão simples assim. Vale a pena refletir um pouco sobre este tema, começando do princípio e abordando os aspectos ambientais, econômicos e sociais desta atitude hoje tão comentada e tão debatida por todos.

Comentarei neste pequeno texto a reciclagem ou a recuperação dos materiais contidos apenas no lixo domiciliar urbano, ou seja, aquele que é gerado em nossas casas e no comércio em geral. É um lixo que não trazmaiores problemas de contaminação, afinal saiu de nossas casas poucas horas antes de ser manipulado por alguém que vai reaproveitá-lo de alguma forma.

É aquele lixo que muitos apregoam ser muito valioso, que vale bilhões de dólares. Quando ouço alguém dizer isto, pergunto onde posso deixar os milhares de toneladas coletados na minha cidade, Rio de Janeiro, para que suas riquezas possam ser aproveitadas. Se nosso lixo de cada dia valesse alguma coisa, ele não seria um problema para as prefeituras, mas antes uma matéria-prima disputada por todos, o que não acontece.

Na realidade, a gestão dos resíduos sólidos é um problema sério no âmbito do saneamento básico, e que afeta a saúde da população e o meio ambiente, se não for bem conduzida.

No Brasil, assim como na maioria dos países em todo o mundo, a limpeza urbana é de responsabilidade dos municípios, e deve ser gerida conforme a decisão política do prefeito. Mas se é realmente um problema, o que háafinal neste lixo que pode interessar a algumas pessoas e levá-las a buscar nele recursos que possam trazer alguma renda ou benefício?

Primeiro, veremos que resíduos são esses. Nosso lixo domiciliar contém, em peso, cerca de 50% a 60% de matéria orgânica de rápida decomposição; 30% a 40% de materiais potencialmente aproveitáveis ou recicláveis, e 10% a 20% de materiais sem possibilidade de reaproveitamento econômico ou reutilização, tais como terra, papel higiênico, fraldas descartáveis, absorventes, lâmpadas, pilhas, papel celofane e vidros planos.

Conhecida a sua composição, vamos observar melhor os 2 grandes grupos que nos interessam mais: matéria orgânica de rápida decomposição e materiais potencialmente recuperáveis ou reutilizáveis.

Na primeira categoria estão os restos de comida e de cozinha, plantas e flores, pó de café, frutas e legumes estragados e suas cascas - tudo aquilo que, se não for bem embalado ou retirado de nossas casas, começaa se decompor, exala maus odores e atrai insetos e ratos. é um tipo de resíduos que ninguém gosta muito de manusear e que queremos ver longe de nós o mais rapidamente possível.

Mas será que não há como fazer alguma coisa de útil com este "lixo", que aparentemente não interessa a ninguém? Veremos isso adiante.

É mais agradável falarmos sobre o que todo mundo gosta: os materiais recicláveis, mais limpos e mais fáceis de manipular. Papéis, papelão de embalagens, latas de conservas, latinhas de cerveja e de refrigerante, garrafas e embalagens de PET, plásticos em geral, jornais e revistas, potes e garrafas de vidro são todos fáceis de se guardar em um saco plástico, depois de uma lavagem rápida. Em seguida colocamos os sacos na calçada para serem recolhidos pela coleta seletiva ou pelos catadores. Pronto: fizemos nossa parte, a mãe Terra agradece, estamos em paz com a nossa consciência ambiental.

Mas as coisas não são tão simples assim. Quando separamos nossos recicláveis, não temos a menor idéia do que vai acontecer com elas depois de serem coletados por catadores ou por algum sistema formal de coleta seletiva. Achamos que, de alguma forma mágica, eles serão transformados em novos produtos e que, nesta operação, haverá economia de energia, de água e de matérias-primas não renováveis, fato que muito contribuirá para um futuro melhor para as gerações que nos sucederão.

Mas vamos examinar o acontece, na realidade, com alguns materiais separados em nossas casas, até que tornem, novamente, a ser um produto de consumo, depois de submetidos a determinados processos industriais. Tomemos inicialmente o papel e o papelão, produtos que há mais tempo são reciclados no Brasil, pelo menos desde os anos 1950, pelos conhecidos "garrafeiros" e "burros sem rabo" - aqueles que passavam pelas ruas do Rio, de casa em casa, gritando "garrafeeeero" , à cata de garrafas de vidro, jornais, revistas e livros velhos, que compravam a preços muito baixos e revendiam a intermediários, obtendo com isso um pequeno lucro.

Os papéis iam para pequenas fábricas de papel, que os aproveitavam como matéria-prima, da mesma forma como as atuais indústrias operam. O processo começa nos hidrapulpers - do inglês, hydropulpers - ou grandes liquidificadores, que batem o papel usado com água e soda cáustica até que se forme uma pasta homogênea, com as fibras do papel dissolvidas e limpas, e passíveis de serem reorganizadas e ligadas umas às outras, por meio de sucessivos caminhos e processos industriais, até serem transformadas em papel novo, pronto para ser reutilizado. Para o branqueamento do papel utilizam-se compostos de cloro ou peróxido de hidrogênio.

Para que toda esta explicação? Para sabermos que o insumo mais consumido na reciclagem de papel/papelão á a água limpa, e que se esta água, depois do processo industrial de reciclagem, não for muito bem tratada, contaminará os recursos hídricos onde é despejada. Isto sem falar doscompostos de cloro que são adicionados durante o processo, e que também podem trazer malefícios à saúde daqueles que, eventualmente, tiverem contato com os efluentes líquidos da indústria.

Gasta-se também muita energia neste processo, e tudo isto nos leva a pensar se realmente vale a pena reciclar o papel ou o papelão. Pelo que se ouve por aí, deve valer: a reciclagem de papel salva árvores, o que é desejável do ponto de vista ambiental. Acontece que as árvores que se abatem para a fabricação do papel são provenientes de empreendimentos florestais - árvores plantadas - e não de florestas nativas, como a Amazônia ou a Mata Atlântica.

Árvores que, para se desenvolverem, utilizam as forças da natureza, como a água de chuva, os nutrientes do solo e a luz solar. Assim, se examinarmos o ciclo industrial da reciclagem do papel e o compararmos com o de sua fabricação a partir de árvores plantadas, considerando- se rigorosamente os aspectos ambientais e energéticos envolvidos, veremos que a segunda opção provavelmente será mais sustentável do que a primeira.

Quanto aos plásticos, os processos industriais de reciclagem deste material são extremamente poluentes e, para reduzir ou eliminar a agressão ao meio ambiente que eles causam, é necessário fazer grandes investimentos, que nem sempre são realizados pelos pequenos e médios recicladores, uma vez que o preço da matéria-prima reciclada é relativamente baixo e mal consegue cobrir os custos de aquisição do material usado e do processo industrial.

O resultado é que a maior parte destas indústrias não tem qualquer sistema de tratamento de efluentes líquidos e oferece péssimas condições de trabalho aos seus empregados, como ruídos excessivos, condições insalubres e alto risco de acidentes.

A reciclagem do alumínio, matéria-prima das latinhas de refrigerante e cerveja, pelo menos vale a pena, não? Vamos ver: o material recuperado tem alto valor no mercado, e o Brasil é o campeão mundial neste tipo de reciclagem. No meu ponto de vista, não devemos ficar orgulhosos deste recorde.
Este é um troféu vergonhoso, pois não foi conquistado graças à consciência ambiental dos brasileiros, mas antes, por causa da miséria de grande parte da população, que disputa as latinhas vazias para vendê-las a intermediários, que as comercializarão junto às grandes indústrias de embalagens de alumínio.

O uso do alumínio para embalagens deve ser também discutido. Quando se diz que esse material pode ser reciclado infinitas vezes e que nesse processo se gasta apenas 5% da energia despendida na fabricação a partirdo minério, não se menciona que o alumínio, para ser fabricado a partir do minério de bauxita, consome uma enorme quantidade de energia e gera grande volume de rejeitos.

Exatamente por isto, as indústrias que o produzem são consideradas "sujas", e têm sido exportadas para os países em desenvolvimento. O uso do alumínio como embalagem e sua posterior reciclagem são, portanto, muito convenientes para os países que não tenham que fabricá-la a partir da extração da bauxita. Este não é o caso do Brasil, que tem grandes jazidas deste minério e fabrica o alumínio em grandes indústrias eletro-intensivas, algumas delas utilizando energia elétrica subsidiada pelo poder público.

Todas estas considerações nos levam a uma constatação: não podemos, a priori, estabelecer se a reciclagem é boa ou má para o meio ambiente ou para as pessoas, sem estudarmos cuidadosamente o ciclo de vida do material a ser reciclado. Isto permite que se avalie o consumo de energia e os eventuais impactos ao meio ambiente que ocorrem durante o processo.

Vamos exemplificar como estes aspectos podem ser variáveis de acordo com as circunstâncias em que ocorrem: a produção de uma lata de 33cl na Inglaterra, composta de alumínio fundido na Noruega, a partir da energia hidroelétrica, e posteriormente laminado na Alemanha, liberará 110g de CO2 - O equivalente a 6,5 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio. Se a mesma lata, entretanto, for produzida na Alemanha, usando-se carvão como fonte primária de energia, haverá uma liberação de 280g de CO2, valor este que será ainda maior se o alumínio for produzido na Tchecoslováquia, usando-se carvão de pior qualidade.

Vemos, assim, que também devemos ter, em nossas iniciativas individuais, a preocupação e a consciência do "balanço ambiental", para que não tomemos atitudes "ambientalmente corretas" mas que, sem querermos, podem trazer prejuízos ao meio ambiente.

Aqui está um exemplo interessante para ilustrar este conceito: no incentivo à prática da reciclagem, em várias cidades dos Estados Unidos e da Europa, a população é estimulada a levar os materiais recicláveis, como vidros, plásticos, papéis e papelão ou metais, aos PEV's - Pontos de entrega Voluntária, depósitos especiais instalados em locais públicos. De lá, estes materiais são levados para outros centros de triagem ou indústrias, que irão aproveitá-los na fabricação de novos produtos.

Vamos imaginar que uma determinada residência esteja a 10 quilômetros de um desses PEV's.

Se algum morador usar o seu carro exclusivamente para levar os recicláveis até lá, poderá estar cometendo, com a melhor das intenções, um ato contra o meio ambiente, pois o combustível derivado do petróleo consumido neste deslocamento provavelmente contém mais energia do que a que se irá economizar com a reciclagem dos materiais que foram separados em sua casa.

Além disso, devemos considerar a poluição que a descarga do motor do automóvel causará à atmosfera e o consumo de matérias-primas não-renováveis, como a gasolina, a borracha dos pneus e o asfalto das estradas.

Portanto, antes de decidirmos o que separar em nossas casas como materiais recicláveis, que seriam normalmente descartados em aterros, é necessário estarmos seguros de que eles podem ser reciclados, que alguém vais querer comprá-los depois de reciclados e beneficiados, e que, finalmente, este processo não envolverá o uso de mais recursos naturais do que os que supomos que irá economizar.

Há muitas cidades no Brasil em que o poder público e a sociedade têm o desejo de implantar sistemas de reciclagem. No entanto, se estas cidades estiverem a grandes distâncias dos centros industriais que processam os materiais recicláveis, tal iniciativa estará inviabilizada, pois o custo de transporte acaba sendo maior do que o valor do próprio produto transportado.

Se, no entanto, a vontade política voltada para o meio ambiente é grande, por que não reciclar a matéria orgânica, a partir da qual se pode produzir um composto orgânico de boa qualidade, que sempre terá uma aplicação útil, se não na agricultura, certamente nos parques e jardins da cidade?
Se um determinado sistema de reciclagem não traz um balanço positivo ao meio ambiente e consome mais energia do que rende, o que fazer com todos estes materiais que levam centenas de anos para se decompor? Mandá-los, com todo o resto do lixo, para um aterro? Isto não é um absurdo, do ponto de vista ambiental? Bem, primeiro devemos entender o que acontece durante o processo de decomposição destes materiais quando depositados no solo. Plásticos, vidros e metais se decompõem lentamente, e causam um impacto mínimo ao meio ambiente durante este processo, apenas ocupando espaço na natureza.

Então estes materiais que vão para os aterros sanitários, misturados com as coisas inaproveitáveis, ficarão ali pelo resto da vida, até virar pó? Sim, e isto não traz nenhum problema ao meio ambiente, desde que este aterro sanitário seja construído de acordo com todos os requisitos ambientais que as normas e a legislação exigem.

Esses locais, depois de encerradas as operações de vazamento de lixo, podem ser reflorestados e transformados em parques seguros, parausufruto da população local, com a vantagem de ainda produzirem energia durante muitos anos, por meio da utilização do biogás. Um aterro construído acima do solo, depois de encerrado, pode transformar- se em uma elevação florestada, com equipamentos esportivos, trilhas, instalações para piqueniques, enfim um local de fruição para a população, assim como qualquer morro da cidade, preservado como espaço de lazer.

Além de ser a forma de disposição final de resíduos sólidos urbanos recomendada pela Organização Mundial de Saúde para países em desenvolvimento, o aterro sanitário, adotando-se todos os requisitos que as normas e a legislação ambiental exigem, para que seja garantida a total proteção ao meio ambiente e à saúde da população, é, de longe, a solução que maior exige menor quantidade de recursos da Prefeitura para sua implantação e operação.

E se esta for a solução adotada por todos, não faltará espaço na Terra para se enterrar todo o lixo produzido pela humanidade? Vai levar muito tempo para chegarmos a este ponto, e para se ter uma idéia do pequeno espaço que os aterros ocupam, reproduzo aqui, livremente, um trecho do livro O ambientalista cético, de Bjorn Lomborg (Editora Campus, 2002). Se todo o lixo urbano gerado nos Estados Unidos, durante todo este século que está começando, fosse colocado em um só aterro sanitário, com 30 metros de altura (Gramacho, no Rio de Janeiro, está hoje com 36 metros), a área ocupada corresponderia a apenas um quadrado de 28 quilômetros de lado, o que representa menos de 1% da superfície daquele país.

Quando se fala em reciclagem, os conceitos de energia, meio ambiente e economia estão interligados. Portanto devemos avaliar quem vai operar todo este complexo sistema, e de que forma, para que os custos não sejam altos, para que haja eficiência e para que os ganhos sejam bem aplicados e corretamente distribuídos.

Quando o poder público resolve operar diretamente o sistema, geralmente realizando a coleta seletiva, quase sempre a operação passa a custar muito para o bolso do cidadão. As prefeituras devem ficar longe da operação e usar sua competência para planejar, coordenar e fiscalizar os serviços sob sua responsabilidade.
A coleta seletiva de recicláveis custa em torno de 5 a 10 vezes mais do que a coleta convencional, e o valor do produto coletado é de 10 a 5 vezes menor do que este custo. Quem paga a diferença?

Se a coleta seletiva é feita pela Prefeitura, quem paga é o cidadão, através dos impostos municipais. Isto significa que a Prefeitura gasta com a reciclagem um valor que poderia estar sendo aplicado em educação ou saúde, por exemplo.

Tudo bem, se a população tiver sido chamada a decidir sobre isso, como ocorreu na Alemanha, que gasta por ano cerca de 5 bilhões de dólares com seu sistema de reciclagem, conhecido como Ponto Verde. Em Pesquisas realizadas em 2004, a população alemã foi amplamente favorável à manutenção do sistema de reciclagem, ainda que isso pudesse representar um aumento de impostos para os cidadãos. Será que o mesmo ocorreria nas cidades brasileiras, onde há carência de quase todos os serviços urbanos, a começar pelo saneamento básico?

Diante de toda esta argumentação, podemos concluir que a reciclagem não vale a pena? Ao contrário, creio que vale, desde que se escolha a forma certa de realizá-la, buscando concentrar num mesmo programa, pelo menos os seguintes aspectos: benefícios sociais, melhoria da limpeza urbana e sustentabilidade econômica/financeira do sistema.

Como conseguir esta proeza? Não há um modelo que se possa recomendar de forma genérica; cada cidade, cada comunidade, tem suas características, e o sistema de limpeza urbana, onde se inclui a reciclagem, deve se adaptar a elas, tanto nos aspectos econômicos quanto nos sociais e culturais.

Uma coisa, entretanto, é certa: recuperar apenas os materiais recicláveis, deixando a matéria orgânica de rápida decomposição para os aterros contribui muito pouco para o meio ambiente. Em seu conceito integrado, a reciclagem deve necessariamente incluir esta fração e outras mais, como entulhos de obras e restos de poda.
A rigor, só deveriam ser destinados aos aterros os resíduos sem qualquer possibilidade de recuperação ou aproveitamento, norma adotada hoje na Comunidade Européia, onde a escassez de áreas para aterros justifica o dispêndio de rios de dinheiro nos programas de reciclagem e nas usinas de incineração. É bom lembrar que a matéria orgânica é o que realmente traz problemas para os aterros: é ela que gera o chorume - um líquido que, se não tratado corretamente, pode contaminar os corpos d'água -, e o biogás, que possui em sua composição cerca de 50% de metano, um gás altamente prejudicial ao efeito estufa, que provoca o aquecimento global da Terra.

A matéria orgânica pode ser transformada em composto orgânico, um excelente insumo agrícola, aplicável em quase todas as culturas, que promove o recondicionamento do solo e possui todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas. Se fizéssemos um estudo econômico para decidir sobre a implantação de um sistema de reciclagem da matéria orgânica, avaliando-se a redução que seria obtida nos custos de coleta, de transferência e de implantação e operação de aterros, talvez concluiríamos que esta é a forma mais viável de recuperação do lixo urbano.

Os custos com a coleta, transferência e disposição nos aterros seriam reduzidos à metade, pois a fração de matéria orgânica corresponde a cerca de 50% do peso do lixo urbano. Além disso, os aterros durariam 2 vezes mais e não teriam que ter nem as estações de tratamento de chorume nem os sistemas de extração e queima de biogás, o que também contribuiria para a redução drástica dos seus custos de implantação e operação.

O difícil, entretanto, como já foi dito, é conseguir uma boa adesão da população para a coleta seletiva de orgânicos, mas se houver decisão política por parte do poder público, no sentido de se elaborar campanhas permanentes para a sensibilização da população, creio que se conseguiria um certo êxito nesta empreitada, o que traria grandes benefícios ao meio ambiente.

Na maioria das cidades brasileiras e sul-americanas observa-se um aumento extraordinário da catação de produtos recicláveis nas ruas e nos aterros, fruto da crise econômica que se agravou na virada do século. Este fato é conseqüência do enorme contingente de desempregados que vagam pelas cidades, buscando sobreviver com a recuperação de recicláveis do lixo, que tem se mostrado, aí sim, uma fonte de recursos importantíssima para estas pessoas.

Os catadores tradicionais passaram então a enfrentar uma concorrência inesperada, e isto já vem causando conflitos de grupos que disputam o controle de determinadas zonas ou bairros das cidades onde esta catação ocorre. Por outro lado, algumas prefeituras, por pressão da sociedade e dos movimentos ambientalistas, passaram a implantar sistemas oficiais de coleta seletiva de recicláveis, geralmente com a parceria de cooperativas de catadores, fato que vem aumentando, ainda mais, a freqüência dos conflitos nas ruas.
Estes programas oficiais, embora bem-intencionados, não conseguem, nem de longe, absorver todo o contingente de catadores em atividade nasruas, o que gera novos problemas, desta vez entre as pessoas não absorvidas pelo sistema oficial e a própria prefeitura.

De qualquer forma, uma coisa é certa: não será o órgão responsável pela limpeza urbana, nem mesmo a Prefeitura, que, sozinhos, resolverão a questão social do país, dando a todos aqueles que hoje sobrevivem da catação, melhores e mais seguras oportunidades de trabalho e renda.

A meu ver, as discussões sobre este tema têm gerado um tal fervor e paixão entre as pessoas envolvidas, que acabam reproduzindo, dentro da própria instituição responsável pela limpeza urbana, focos de tensão que terminam por prejudicar o seu objetivo maior: a gestão integrada dos resíduos sólidos da cidade.

O papel da limpeza urbana no ordenamento da atividade dos catadores, na sua capacitação e na valorização do seu trabalho é fundamental, pois aumenta a sua renda e evita a catação predatória nas ruas, o que melhora as condições sanitárias da cidade. Ainda não se encontrou a fórmula ideal de reciclagem, mas a permanente discussão sobre o tema pode trazer à baila soluções criativas que devem ser experimentadas, respeitando-se sempre as características de cada cidade.

Uma destas formas, que talvez funcione, e que já está sendo testada em algumas cidades, é a contratação de cooperativas de catadores para realizar a coleta seletiva, por meio dos catadores e seus carrinhos ou mesmo com caminhões do tipo baú, mais simples e mais baratos. Este serviço seria pago pela prefeitura, num valor equivalente ao custo da coleta convencional por ela realizada. Isto é perfeitamente razoável,uma vez que este material é retirado do fluxo da limpeza urbana, que inclui a coleta, a transferência e a destinação dos resíduos.

A cooperativa passa assim a ter com o poder público uma relação profissional, com direitos e deveres definidos em contrato, o que permite estabelecer formas de trabalho mais adequadas para a cidade. Com os recursos provenientes da venda dos recicláveis e da prestação dos serviços de coleta, a cooperativa passa a ter capacidade econômica para adquirir os equipamentos básicos para seu trabalho, como prensas, elevadores de fardos e balanças, e também para alugar um galpão para armazenamento do material separado e beneficiado, caso a Prefeitura não tenha nenhum disponível, podendo assim transferir mais e melhores benefícios aos seus cooperativados.

Neste amplo espectro da atividade da reciclagem dos resíduos sólidos, não há como deixar de comentar a catação nos aterros de lixo, que ocorre ainda em muitas cidades em todo Brasil, independente do seu tamanho. No Rio de Janeiro, no aterro de Gramacho, um dos maiores da América do Sul, cerca de 1.000 catadores atuam na frente de vazamento do lixo, de onde retiram perto de 200 toneladas de materiais recicláveis por dia.

A Comlurb - Companhia de Limpeza Urbana, empresa do município, que tem a responsabilidade pela gestão de resíduos na cidade do Rio de Janeiro, nunca proibiu a catação em seus aterros, e sempre foi muito criticada por isso. Quando os visitantes se surpreendem com os catadores em Gramacho, um aterro que hoje opera dentro de todos os requisitos da engenharia sanitária, e comentam as condições insalubres a que estão expostos, retrucamos que pior do que esta insalubridade visível é a fome, e que ninguém está ali por prazer, e sim, por falta de melhores alternativas de trabalho.

Se a crise econômica e a miséria tornam inevitável a catação em aterros, o que se deve fazer é manter um cadastro atualizado dos catadores, para que possam ser acompanhados permanentemente por assistentes sociais. Deve-se também, na medida do possível, manter um certo ordenamento na frente de trabalho, de modo a reduzir os riscos de acidentes e evitar problemas nas operações de vazamento e compactação do lixo, permitindo ainda a entrada controlada de caminhões para a retirada dos recicláveis. É recomendável também a prestação de atendimento aos catadores quando há algum acidente durante seu trabalho no aterro.

Em decorrência do desemprego generalizado, a demanda para a catação nos aterros tem sido muito grande, e, no caso do Rio de Janeiro, a Comlurb, por questões de segurança e operacionais, foi forçada a limitar a quantidade de catadores em Gramacho . Isto não tem sido uma tarefa fácil, pois é enorme a quantidade de gente desempregada que, diariamente, chega ao portão de entrada e tenta participar desta atividade.

Como se vê, a reciclagem, coleta seletiva, catação, compostagem e aterros sanitários são problemas complexos e que não devem ser tratados isoladamente, e sim de forma integrada, pois são interligados operacional, social, econômica e ambientalmente e podem causar impactos importantes ao meio ambiente, à saúde da população e ao orçamento público.

Quando pretendemos, cidadãos, organizações não-governamentais ou poder público, implementar ações de reciclagem, através da coleta e reaproveitamento de materiais recicláveis e/ou da matéria orgânica de rápida decomposição, devemos levar sempre em consideração as características culturais, sociais e econômicas da nossa cidade e de nosso povo, como também as práticas do sistema de limpeza urbana já existentes. Assim, serão alcançados os maiores benefícios para o meio ambiente, com os menores custos para a população.
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*José Henrique Penido, engenheiro, iniciou seu trabalho com lixo, naComlurb do Rio de Janeiro, há mais de 26 anos. Ocupou o cargo dePresidente da empresa em 1998. É consultor da Organização Panamericanada Saúde, do PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,do GTZ - Deutsche Geselshaft Für Tecnische Zuzamenarbeit, do BancoMundial e do BID.


Texto enviado pela Prof. Lislair Leão.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Você pode ser um geólogo se... - Homenagem ao Dia do Geólogo (30/05)

Você pode ser um geólogo se...

- pronunciar corretamente a palavra “molibdenita” na primeira tentativa;

- achar que cortes de estrada são atrações turísticas;

- possuir mais amostras de quartzo do que cuecas;- associar o termo “duro” a um valor na escala de Mohs, no lugar de outro significado;

- a pilha de rochas na sua garagem é mais alta do que Você;

- o professor de petrografia da universidade local pedir permissão para fazer uma excursão de campo na sua área de serviço;

- Você coloca ametista para enfeitar o aquário;

- sua mulher freqüentemente tem que remover amostras do box para poder tomar banho;

- o seu tradutor eletrônico tem palavras como polymorph? ou pseudomorph?;

- seus filhos chamam-se Rochinha, Prásio e Berilo;

- Você fica junto da parede da catedral durante a missa e, de vez em quando, saca a lupa do bolso para dar uma olhadinha nos cristais;

- Você fica nervoso pelo simples fato das lâmpadas de suas estantes não mostrarem o espectro completo;

- Você sempre compra qualquer amostra que encontra nos camelôs, sem ao menos pechinchar;

- Você não se importa de gastar mais de 30 reais com um livro sobre rochas;

- Você só dirige olhando pro meio-fio, tentando identificar a composição do granito (ou não seria um granodiorito??);

- Você sabe a localização de qualquer afloramento num raio de 100 km da sua casa;

- Você se aposentou mas ainda pensa em construir mais um quartinho no quintal;

- pra Você uma noite calma e romântica em casa significa limpar e guardar suas amostras favoritas no fundo do armário;

- Você está pensando em levar a bússola e o martelo nas próximas férias;

- Você consegue apontar com facilidade onde a Serra do Taiano localiza-se no globo terrestre;

sábado, 17 de maio de 2008

Permacultura - Tecnica de Desenvolvimento Sustentavel

Texto de Sergio Pamplona extraido de http://www.permear.org.br/2006/07/14/o-que-e-permacultura/

Permacultura é algo fácil de identificar com um monte de desejos pessoais profundos entre aquelas pessoas que sonham com paz, harmonia e abundância. Mas leva-se muito tempo para entender. Não se sinta desencorajado o leitor que está ansioso por conhecer a Permacultura ou aquele que julgava tê-la compreendido: os conceitos estão dados e são até bastante claros. A verdade é que as coisas mais importantes da vida exigem tempo e dedicação, tanto mais quando representam quebras de paradigmas.

Assumir para nossas vidas aquilo que é radicalmente novo não é tarefa fácil – no mais das vezes enfrentamos nossos próprios limites de compreensão e aceitação. Por isso, é preciso coragem, fé e determinação para tornar-se um permacultor. E tomar o tempo como aliado.Nas palavras de Bill Mollison de que mais gosto, a Permacultura é “uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma a que ela seja abundante para todos, sem prejuízo para o meio ambiente. Parece utópico, mas nós praticantes sabemos que é algo possível e para o qual existem princípios, métodos e estratégias bastante factíveis. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver, nos cinco continentes e em mais de uma centena de países.

Conceitos: Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais.

Para tornar o conceito mais claro, pode-se acrescentar que a Permacultura oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Alimento saudável, habitação e energia devem ser providos de forma sustentável para criar culturas permanentes.

No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia. Este processo, segundo André Soares, permacultor do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC, deve ser dinâmico, contínuo e orientado para a aplicação de padrões naturais, contendo sub-processos de organização de elementos dentro de determinados contextos.

No primeiro nível, a ação do permacultor volta-se principalmente para áreas agrícolas com o propósito de reverter situações dramáticas de degradação sócio-ambiental. “Culturas não sobrevivem muito tempo sem uma agricultura sustentável”, assegura Bill Mollison. No entanto, os sistemas permaculturais devem evoluir, com designs arrojados, para a construção de sociedades economicamente viáveis, socialmente justas, culturalmente sensíveis, dotadas de agroecossistemas que sejam produtivos e conservadores de recursos naturais.

Cooperação e solidariedade: A Permacultura exige uma mudança de atitude que consiste basicamente em fazer os seres humanos viver de forma integrada ao meio ambiente, alimentando os ciclos vitais da natureza. Como ciência ambiental, reconhece os próprios limites e por isso nasceu amparada por uma ética fundadora de ações comuns para o bem do sistema Terra.

Mollison e Holmgren buscaram princípios éticos universais surgidos no seio de sociedades indígenas e de tradições espirituais, que estão orientados na lógica básica do universo de cooperação e solidariedade. Não é possível praticar a Permacultura sem observá-los.

Primeiro, será preciso assumir a ética do cuidado com a Mãe-Terra para garantir a manutenção e a multiplicação dos sistemas vivos. Depois, o cuidado com as pessoas para a promoção da autoconfiança e da responsabilidade comunitária. E por fim, aprender a governar nossas próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras.

Como parte dos sistemas vivos da Terra e tendo desenvolvido o potencial para desfazer a sustentabilidade do planeta, nós temos como missão criar agora uma sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, a começar pelos marginalizados e excluídos, com relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões.

Toda ética tem a ver com práticas que querem ser eficazes. “A ética da Permacultura serve bem para iluminar nossos esforços diários de trabalho com a natureza a partir de observações prolongadas e cuidadosas, com base nos saberes tradicionais e na ciência moderna, substituindo ações impensadas e imaturas por planejamento consciente”, assevera Bill Mollison. A chave é estabelecer relações harmoniosas entre as pessoas e os elementos da paisagem.


Em manaus conheça o Instituto de Permacultura da Amazônia
http://www.ipapermacultura.org/

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A sua casa vem da geologia e da mineração

Sempre que falamos da importancia da geologia em nossas aulas costumamos dizer que a vida depende das condições geológicas, é claro que isso sempre gera polêmica...e essa é a intenção, chamar os academicos à seguinte reflexão: A mineração é boa ou ruim?
Segue abaixo um exemplo extraído (adoro essa palavra, me lembra mineração hehehehe) do site da MINEROPAR.


Importância dos recursos minerais

Os bens minerais têm uma importância significativa para a sociedade, a tal ponto que as fases de evolução da humanidade são divididas em função dos tipos de minerais utilizados: idades da pedra, do bronze, do ferro, etc. Nenhuma civilização pode prescindir do uso dos bens minerais, principalmente quando se pensa em qualidade de vida, uma vez que as necessidades básicas do ser humano - alimentação, moradia e vestuário - são atendidas essencialmente por estes recursos. Uma pessoa consome direta ou indiretamente cerca de 10 toneladas/ano de produtos do reino mineral, abrangendo 350 espécies minerais distintas. A construção de uma residência é um exemplo desta diversidade.

Sua casa vem da mineração


Elemento construtivo Principais substâncias minerais utilizadas

  • tijolo: Argila
  • bloco : areia, brita, calcário
  • fiação elétrica: cobre, petróleo
  • lâmpada: quartzo, tungstênio, alumínio
  • fundações de concreto: areia, brita, calcário, ferro
  • ferragens: ferro, alumínio, cobre, zinco, níquel
  • vidro: areia, calcário, feldspato
  • louça sanitária: caulim, calcário, feldspato, talco
  • azulejo: caulim, calcário, feldspato, talco
  • piso cerâmico: argila, caulim, calcário, feldspato, talco
  • isolante - lã de vidro: quartzo e feldspato
  • isolante - agregado: mica
  • pintura - tinta: calcário, talco, caulim, titânio, óxidos metálicos
  • caixa de água: calcário, argila, gipsita, amianto, petróleo
  • impermeabilizante - betume: folhelho pirobetuminoso, petróleo
  • pias: mármore, granito, ferro, níquel, cobalto
  • encanamento metálico: ferro ou cobre
  • encanamento PVC: petróleo, calcita
  • forro de gesso: gipsita
  • esquadrias: alumínio ou ligas de ferro-manganês
  • piso pedra: ardósia, granito, mármore
  • calha: ligas de zinco-níquel-cobre ou fibro-amianto
  • telha cerâmica: argila
  • telha fibro-amianto: calcário, argila, gipsita, amianto
  • pregos e parafusos: ferro, níquel

O texto completo pode ser obtido em http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=28



REFLEXÃO: A LIÇÃO DA ÁGUIA



A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos.

Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.Aos 40 anos ela está com:

- As unhas compridas e flexíveis, não conseguem mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. - O bico alongado e pontiagudo se curva. - Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!

Então, a águia só tem duas alternativas:

- Morrer - Ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.

Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos.

Assim é a nossa vida. Muitas vezes temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor.

Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma auto-renovação sempre traz.

Existem momentos em que devemos fazer escolhas e tomar decisões para que possamos continuar.



Afinal, tudo é uma questão de A T I T U D E

Paulo Eustáquio
Tutor AE-SEBRAE
_________________________________________
Seja águia e não galinha!

Saudações Geológicas
Prof. Elias Santos Junior
Manaus - Amazônia - Brasil  
 

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Dá para viver mais devagar?

Esse email me foi enviado pelo Geólogo Fabio Fernandes - Amazongeo Geologia e Meio Ambiente ja tem algum tempo, nao sei a autoria do texto porem acho oportuno divulgá-lo hj 1 de maio, dia do trabalhador.

Já vai pra 18 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora dois anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, causa em nós aflitos por resultados imediatos (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) uma ansiedade generalizada, porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem "N" reuniões, ponderações... E trabalham num esquema bem mais "slow down" (desacelerado). O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui... E vejo assim:

  1. 1. O país é do tamanho de São Paulo;
  2. 2. O país tem 2 milhões de habitantes;
  3. 3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba onde somos 2 milhões);
  4. 4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare...
Nada mal, não? Pra ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles... Vou contar para vocês uma breve só pra dar noção... A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio leve e nevasca.

Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro).

No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã perguntei: "Vocês têm lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final..." e ele me respondeu simples assim: "é que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar – quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Vc não acha?"

Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira... Deu pra rever bastante os meus conceitos..

M C M Volvo IT South America Slow x Fast

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol -, tem sua base na Itália (o site é muito interessante. Veja. O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida. A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week em sua última edição européia.

A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser". Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 horas/semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses.

E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. Essa chamada "slow attitude" está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it Now" (faça já).

Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos estresse. Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer e das pequenas comunidades. Do "local", presente e concreto, em contraposição ao "global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo, onde seres humanos felizes fazem, com prazer, o que sabem fazer de melhor.

Nesta semana, gostaria que você pensasse um pouco sobre isso. Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura? Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa" até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, em que um personagem cego (vivido por Al Pacino) tira uma moça para dançar e ela responde: "Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos." "Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele, conduzindo-a num passo de tango. E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. Tempo todo mundo tem por igual. Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon: "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".

*** Comentario do professor
Passamos anos buscando qualificação, melhores salarios, buscando o lugar no mercado, competindo com nossos pares no ambiente de trabalho...Lendo esse texto me questiono: Vale a Pena?

Hoje penso que é mais interessante viver mais devagar, assistir meu filho crescer é mais importante que ganhar novos clientes, ganho menos que a maioria dos meu colegas, contudo, trabalho menos que eles...e isso me deixa muito feliz!



Musica interpretada pela Cidalia Castro e narração de Pedro Bial

Aos que passam por aqui eu deixo como conselho: Divirtam-se...

Prof. Elias Santos Junior
Manaus - Amazonas - Brasil




 

quarta-feira, 30 de abril de 2008

REFLEXÃO: O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO


Quando...
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao Colégio, é um "Caxias".
Precisa faltar, é "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama à atenção, é um grosso.
Não chama à atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica..
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário'.
Exige, é rude. Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, "deu mole".

É, o professor está sempre errado mas, se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!





Texto enviado pela Bióloga Luciana Pinto, professora como eu que ouve tudo isso sempre!

Saudações Geológicas
Prof. Elias Santos Junior
Manaus - Amazônia - Brasil

O que é Coaching - Por Elias Santos Junior - Geólogo, Professor e Self-empowerment Coach

Coaching [1]   é uma palavra em inglês que indica uma atividade de formação pessoal em que um instrutor ( coach ) ajuda o seu cliente ( coa...