A Província de Urucu, no Amazonas, é a maior produtora terrestre de gás natural e a terceira maior nacional em barris de óleo.
Autor: Isaac de Paula - Portal Amazônia
MANAUS – Uma enorme clareira no meio da floresta
evidencia que algo extraordinário acontece no município amazonense de
Coari. Localizada a 650 km a Sudoeste de Manaus, a área aberta traduz o
resultado de sete décadas de pesquisas. Lá está a Província de Urucu, a
maior produtora terrestre de gás natural e a terceira maior nacional em
barris de óleo. Um trabalho que envolve o desafio de desenvolver
tecnologias inéditas aliadas à responsabilidade ambiental do maior bioma
do planeta.
Os primeiros esforços para encontrar petróleo na região começaram
ainda por volta de 1910. Estudos, pesquisas e tentativas de exploração
levaram à perfuração do primeiro poço em Coari, em 1917. De acordo com a
Petrobras, empresa detentora da exploração em Urucu, os primeiros
levantamentos sísmicos na Amazônia, no entanto, só vieram a começar
quase 30 anos depois, acompanhadas pelo então Conselho Nacional de
Petróleo (CNP).
E foi próximo a Carauari (AM), em 1978, que a estatal fez a primeira
descoberta significativa de óleo e gás na região. Um sonho que ganhou
ainda mais forma quando, em outubro de 1986, a Petrobras descobriu
petróleo em quantidades comerciais na área do rio Urucu, na Bacia do
Solimões. Estava aberta uma nova perspectiva para a exploração e
produção de petróleo na Amazônia.
Um dos marcos dessa nova realidade foi a construção da Base de
Operações Geólogo Pedro de Moura (BOGPM). Em outubro do ano passado, o
campo de Urucu completou 25 anos, com números impressionantes. São
retirados diariamente da província cerca de 11 milhões de metros cúbicos
de gás natural e 52 mil barris de petróleo. Estatísticas que ficam
atrás apenas dos registros das plataformas marítimas do Rio de Janeiro e
do Espírito Santo.
Em todo o ano de 2011, volume de gás natural e petróleo produzido por
Urucu chegou a 119.934 barris equivalentes por dia. No final do mês de
março, a Petrobras divulgou a produção de fevereiro. O Amazonas apareceu
com produção de 10.382 mil metros cúbicos/dia e 50.938 barris de
petróleo – volume um pouco menor que da média anterior. De acordo com a
empresa, a redução na produção é consequência da menor demanda do
mercado consumidor.
O petróleo de Urucu é de alta qualidade, sendo o mais leve entre os
óleos processados nas refinarias do País. Essas características resultam
no aproveitamento do material especialmente para a produção de
gasolina, nafta petroquímica, óleo diesel e gás de cozinha. O
processamento de GLP, que supera 1,3 mil tonelada diária, equivalente a
115 mil botijas de 13kg, abastecendo os Estados do Pará, Amazonas,
Rondônia, Maranhão, Tocantins, Acre, Amapá e parte do Nordeste.
Novas descobertas
Em fevereiro deste ano, a Petrobras anunciou ter descoberto uma nova
acumulação de petróleo e gás na Bacia do Solimões, no Amazonas. O poço
foi perfurado a profundidade final de 3.295 metros e os testes
realizados indicaram capacidade de produção diária de 1.400 barris de
óleo de boa qualidade e 45 mil m3 de gás, na Formação Juruá.
A descoberta ocorreu durante a perfuração do poço 1-BRSA-961-AM,
informalmente conhecido como Leste do Igarapé Chibata. Localizado no
Município de Coari, a 25 km da Província Petrolífera de Urucu. Este é o
segundo sucesso exploratório no Bloco, onde já está em andamento, desde
2010, o Plano de Avaliação da Descoberta do poço 1-BRSA-769-AM,
informalmente conhecido como Igarapé Chibata.
Se for confirmada a viabilidade econômica das descobertas, será
criado um novo polo produtor de petróleo e gás natural na Bacia do
Solimões.
Plano de exploração das novas reservas:
Preservação ambiental
Um empreendimento do tamanho de Urucu tem impactos – e nem todos são
positivos. Para preservar o ecossistema amazônico e compensar os danos
causados pela exploração, uma série de medidas são tomadas. Entre elas
está o replantio intensivo de espécies da flora. Ao lado do Polo Arara,
por exemplo, está um viveiro com aproximadamente 125 mil mudas de
espécies nativas, como imbaúba, mata-pasto, angico, goiaba-de-anta,
jatobá, lacre e árvores de ingá, em uma lista de 80 espécies diferentes.
Sobre as clareiras abertas em meio à floresta, a empresa diz, após a
perfuração dos poços, o trabalho segue com a recomposição da cobertura
florestal, mantendo-se apenas uma pequena área para os equipamentos de
produção de petróleo e gás natural. “Tudo feito rigorosamente conforme
procedimentos documentados, previamente estabelecidos por especialistas,
e revisado sistematicamente para garantir técnicas cada vez melhores e
resultados em constante evolução”, afirma nota da estatal.
Porto Encontro das Águas, de onde saem e onde são recebidas as cargas de Urucu. Foto: Divulgação/Petrobras
Todo o processo conta ainda com as ações de um convênio firmado entre
o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e o Projeto Sistema de
Proteção da Amazônia (Sipam). Os trabalhos de prospecção, perfuração,
produção, processamento e transporte de petróleo, gás e derivados na
selva amazônica são monitorados pelo Sistema. O suporte permitiu a
criação de um “cordão” adicional de proteção e de controle permanente,
prevenindo qualquer hipótese de prejuízos ecológicos.
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2 comentários:
Beleza professor Elias! Seu blog ficou legal com esta repaginação! Continue na luta! Saudações Geográficas!
Obrigado Prof. Bechman, é um prazer te-lo entre os leitores do blog, e estamos sempre prontos para a boa luta!
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