A capital amazonense tem 23 áreas em risco de desabamento nas zonas Norte e Leste da cidade
Wallace Abreu - portalamazonia@redeamazonica.com.br

Foto: Divulgação/Semmas
MANAUS - Um levantamento realizado entre a Defesa Civil de Manaus e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) mapeia todas áreas de risco na cidade. O estudo já detectou 23 pontos em perigo de deslizamento – e mais podem ser descobertos nos próximos meses, até a conclusão da pesquisa. São pelos menos 5 mil famílias que estão propensas a sofrer algum tipo de prejuízo com as fortes chuvas.
Segundo o diretor de operações da Defesa Civil de Manaus, Cláudio Belém, o maior problema é que muitas famílias se recusam a sair do terreno, mesmo após ser condenado pelas autoridades. O órgão realiza um trabalho de orientação junto aos moradores destas áreas. Do total, 110 famílias estão sendo monitoradas constantemente.
O diretor de Operações ressaltou que após o levantamento da situação de risco, a Defesa Civil aciona outra Secretaria competente para agir diante do problema constatado. “Atuamos como um órgão gestor em situações de emergência. Se o problema for um caso de uma drenagem, o caso é repassado a Seminf. Se a situação gerar desabrigados, acionamos a Semasdh ou outra secretaria que venha ajudar a resolver o problema”, explicou Belém.
Mapeamento
De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Reinaldo Corrêa, o mapeamento da cidade não é feito por zonas ou bairros e sim pela identificação das bacias hidrográficas urbanizadas. “Um bom exemplo a ser dado é o da Bacia Hidrogáfica do Mindú que tem sua nascente da Reserva Adolpho Ducke e sua foz no bairro São Raimundo. Essa é uma bacia que atravessa a cidade e passa por diferentes infraestruturas urbanas”, explicou.
O pesquisador aponta que um novo inventário sobre as áreas de risco em Manaus está em fase de finalização e adianta que não houve grandes mudanças em comparação ao último inventário apresentado em 2009. “Não houve o surgimento de novas áreas de risco na capital, nem o desaparecimento de áreas já existentes”, enfatizou Corrêa.
Monitoramento
O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) envia boletins diários com a previsão meteorológica, que norteiam ações do plano de contingência da Defesa Civil. De acordo com as informações, as equipes são deslocadas para as áreas que possivelmente possam ser atingidas e assim iniciar as ações do plano de contingência, antes de alguma situação mais extrema, como desabamentos, deslizamentos ou alagações.
Só em 2011, a Defesa Civil selecionou 60 crianças e adolescentes de áreas de risco para receberem orientações e se tornarem defensores comunitários. O projeto tem a finalidade de orientar moradores de locais que apresentem algum tipo de risco com informações que possam ajudar em caso de uma situação mais extrema. “Os participantes aprendem noções de primeiros socorros, defesa civil, preservação ambiental, entre outras informações que possam evitar futuros problemas”, destacou Belém.
Orientações
A Defesa Civil alerta que as construções irregulares próximas a encostas ou igarapés podem colocar em risco a vida de muitas pessoas, principalmente no período de chuvas. Outras situações como a construção de muros de contenção com blocos de cimento, jogar lixo ou água de pias, tanques ou chuveiros, enfraquece o solo e aumenta o risco de deslizamento.
A orientação é que ao menor sinal de perigo, o morador saia imediatamente do local e chame a Defesa Civil por meio do número199.
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Todo cabloco amazônico sabe quando começa a temporada de chuvas, porem parece que as autoridades nunca estão preparadas, percebam que o trabalho de cadastramento das áreas de risco é realizado faz tempo, grande responsável por parte desse cadastro inclusive com a identificação dos riscos é realizado pelo Professor Reinaldo e sua equipe do INPA.
O mais evidente nesse caso é a falta de profissionais habilitados na Defesa Civil, onde estão os Geógrafos, Geólogos, Engenheiros, Biólogos, Sociólogos e Assistentes Sociais entre outros profissionais?
Chegar em uma área de risco e informar que ela pode desabar e que os moradores tem que sair é muito fácil, difícil é retirar os moradores, dar um local digno para morar, conter o risco, para isso é necessário muito mais do que um cadastramento, é necessário levantamento tecnico-cientifico, é preciso equipes qualificadas, é preciso trabalho preventivo, mas sobretudo é necessário vontade política, e esse parece ser o principal entrave...
No sudeste do Brasil os problemas ja estão ocorrendo, aqui em Manaus já estamos alertas e os Governantes quando irão acordar?
2 comentários:
É bom saber que fizeram uma mapeamento das zonas de risco, eu pensava que Manaus era uma cidade plana assente em materiais sedimentares do Amazonas, pelos vistos estava errado.
Pois é meu caro Geocrusoe manaus está assentada em uma bacia sedimentar realmente, porem devido aos fenomenos neotectônicos temos uma estruturação favoravel à formação de áreas de risco de desabamento, enquanto o fundo dos vales ocorrem os alagamentos.
O fato é, todo ano chove muito na Amazônia e todo mundo sabe disso, o que falta é vontade politica de resolver a situação da população em risco!
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